Opportunity is a bird that never perches*

By Nicole Michelle Tully

Para você que está pensando em ser tradutor e vai prestar vestibular, leia sem falta as dicas valiosas do Fabio M. Said em seu site sobre tradução, o Fidus Interpres (clique aqui para ler). Se já está na faculdade ou começando a carreira leia também, vale a pena para todo mundo; o site todo, aliás, está recheado de dicas preciosas.

O Fabio disse coisas interessantíssimas e eu gostaria de aproveitar para comentar algo que ele coloca logo nos primeiros tópicos: a maioria dos tradutores é freelancer. É verdade, claro. Mas é verdade também que “maioria” não quer dizer “todos”. Digo isso pois acredito ser importante ter a mente aberta para as oportunidades que surgem na nossa vida profissional, e elas nem sempre chegam por vias convencionais.

Sou aquela minoria difícil de encontrar. Trabalho como tradutora, com carteira assinada, em uma empresa de traduções. Penso que para os iniciantes é uma maneira excelente de começar a ganhar experiência e confiança. Muitos recém-formados nem cogitam essa idéia, pois só conseguem pensar que o freelancer ganha muito mais que o CLT e, portanto, ser CLT é perda de tempo (e dinheiro). Em qualquer profissão, seja como empregado, seja como freelancer, há, certamente, prós e contras. Coloco alguns deles abaixo:

O principiante não tem clientela formada, ainda não teve tempo de se especializar em nenhuma área e possui poucos (às vezes nenhum) contatos profissionais.

Trabalhar em uma empresa é uma oportunidade incrível de ingressar efetivamente na profissão. É uma maneira de ter contato real com variados tipos de texto e de identificar com quais deles nos damos melhor, além de conhecer outras pessoas da área. Os clientes são da empresa, claro, e por isso ganhamos menos. Porém, (pelo menos no meu caso) essa é uma clientela de porte e importância enormes e muito exigente, coisa difícil de se conseguir sendo freelancer em início de carreira.

Como um iniciante auto-avalia seu trabalho? Como ele mede sua produção? Como ele detecta vícios e erros recorrentes em suas traduções?

Trabalhar como CLT em início de carreira é uma verdadeira escola. Cada texto seu é revisado e geralmente você recebe um feedback sobre o que está bom e o que precisa melhorar. É preciso um pouco de sangue frio, porque receber críticas exige sempre uma dose de paciência e humildade. O bom é que você também recebe elogios e isso fortalece e incentiva a seguir em frente. Há sempre cobrança com relação a prazos e o lado ruim é que não podemos recusar um trabalho se acharmos que não daremos conta. Mas é legal para medirmos nossa produção e, no futuro, se formos freelancers, já ter uma ótima idéia do que podemos pegar e do que devemos recusar.

Viver (bem) com salário vindo de traduções autônomas leva um certo tempo, como sobreviver até lá?

Sendo CLT! Porque ter carteira assinada não impede, de maneira alguma, que uma pessoa comece a fazer sua cartela de clientes (agências ou clientes diretos). A parte boa é que dá para fazer isso com mais calma, já que o salário está garantido ao final do mês. A parte ruim é que se você começar a conseguir clientes, vai precisar trabalhar muito mais tempo, já que de 6 a 8 horas do seu dia serão exclusivas da empresa. Mas vale a pena o esforço. Até porque, se conseguir clientes bons e o dinheiro compensar, você pode escolher se quer continuar a ser empregado ou se passa a ser autônomo. Inclusive, muita gente em fase inicial precisa ter um emprego fixo (seja ele qual for) e fazer as traduções nas horas livres. Por que não já ter um emprego fixo na área?

Não vou mentir, não é tão fácil assim encontrar oportunidades como tradutor CLT. Porém, elas existem e, além de empresas de traduções, empresas de outros ramos também precisam de tradutores in-house. Você pode ser um, se achar que esse é seu perfil ou se no momento for o mais adequado.  Só você pode saber o que lhe convém. Além disso, salário é assunto delicado. O que é pouco para uns, pode ser muito para outros.

*Claude McDonald

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12 responses to “Opportunity is a bird that never perches*”

  1. Sofia Passos Rezende says :

    Muito bom seu post. No fim da minha graduação em letras consegui um emprego em uma agência, trabalhando de 8 às 18 e ganhando “pouco”. Ao contrário do ideal, eles raramente ofereciam feedback, então traduzi muitas vezes “no escuro”. Mas valeu a pena, pois eu tive contato com diversos tipos de textos sem ter tanta responsabilidade quanto um freelancer teria, pois os textos eram revisados. Com certeza o emprego CLT no início da carreira do tradutor é muito útil, mas não dá pra parar por aí. Além do salário ser baixo, você perde certas liberdades, que devem até ter sido responsáveis pela opção da profissão como tradutor. Aceitar os trabalhos que mais gosta e recusar prazos impossíveis, por exemplo.

    • Lorena Leandro says :

      É verdade, Sofia, não dá para parar não! O legal é poder conciliar as duas coisas no momento de transição. Acho que tudo que nos faz ganhar experiência vale a pena e as oportunidades cada vez melhores vão surgindo com o tempo e o esforço 😀

  2. Roseli says :

    Ótimo post para mostrar várias maneiras de começar, Lorena. A profissão de tradutor está tão ligada à imagem de free-lancer, de trabalhar em casa, que às vezes as pessoas nem procuram trabalho desse jeito.
    Já vi muitas ofertas em sites e jornais e também algumas pessoas afirmando que é uma verdadeira escola.
    Parabéns pelo post, vou recomendar no meu blog.
    Um beijo,
    Roselix

    • Lorena Leandro says :

      Pois é, Roselix, já vi tanta gente se espantar quando digo que sou CLT! Se espantam mais ainda quando digo que, mesmo assim, trabalho em casa e vou à empresa somente uma vez por semana para reuniões 😛

  3. Heitor says :

    Depois desse post, eu vou AGORA procurar um emprego como tradutor!

  4. Fabio says :

    Lorena, obrigado pela menção ao meu blog “Fidus interpres”! Sim, é muito importante falar dos tradutores que não são freelancers, nem donos de agências. Quanto mais informação, melhor!

    Lembrei agora de um blog em inglês que eu costumava acompanhar, da Susanne Aldridge, que é tradutora empregada e fala de muitos aspectos dessa profissão, inclusive do contato dela com clientes e tradutores freelancers que a empresa dela contrata. Ela mesmo diz que a figura do tradutor in-house não está em franco desaparecimento, mas ainda não morreu. Fica aqui a dica do blog, que se chama “In-House Translators – A Dying Breed” (olha que título dramático!):
    http://www.aldridge.de

    • Lorena Leandro says :

      Oba, adoro conhecer novos blogs (com títulos dramáticos, melhor ainda!). Vou lá conferir!

  5. Fabio says :

    Oi, eu de novo. Lorena, pelo amor de Deus, publique o seu RSS em formato completo e não resumido. Seu blog é bom demais e vai ser uma chatice ter de clicar no “Leia mais” toda vez que eu quiser ler um artigo legal seu.

    Aliás, no meu livro “Fidus interpres: a prática da tradução profissional” eu falo defendo ardorosamente o RSS completo e a abolição do RSS resumido – sem medo de perder leitores! No livro tem também outras dicas sobre como manter um blog e um site de tradutor e muitas dicas de marketing on-line e off-line para tradutores. As informações completas sobre o livro estão aqui.

    Agora vou voltar pro texto que eu estava traduzindo…

    • Lorena Leandro says :

      Fábio, dica preciosa a sua, vou fazer isso já! Seu livro já está na minha lista de próximas aquisições (faz tempo, aliás!). Bacana saber que ele tem dicas para manter blogs e sites, não poderia ter vindo em melhor hora. Obrigada pela visita 🙂

  6. Telma says :

    Oi Lorena,

    Estou iniciando na carreira e seu blog eh o maximo!! Estou tirando varias duvidas!!!

    Vou comecar a trabalhar CLT numa agencia. Como funciona isso de trabalahr CLT in house e so comparecer no escritorio uma vez por semana? Tambem quero… 🙂

    Bjoss

  7. Telma says :

    Ah, nao querendo abusar (mas ja abusando!), gostaria de saber a sua opiniao:
    Sou graduada em Letras e tenho experiencia de 5 anos no exterior. Estou iniciando na Traducao e percebo que realmente adoro traduzir, porem tb gosto de dar aula.
    Estou querendo fazer uma Especializacao em Traducao. Sera que vale a pena? No caso, alem de traduzir, tb gostaria de dar aula em Faculdade (visto que algumas Universidades aceitam Prof. Especialista).

    Obrigada!!!

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  1. Lar doce escritório « Ao Principiante - 14/03/2011

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