Eu, tradutor em 2014!

Na sexta-feira passada, dia 24 de setembro, a tradutora Adriana de Araújo* deu uma palestra para os alunos da Universidade Católica de Santos com o tema Eu, tradutor em 2014, no Encontro de Letras e de Tradução e Interpretação. O evento era voltado a universitários, mas muita coisa pode ser aplicada por quem está querendo ingressar na carreira e não está nos bancos da faculdade. Ela gentilmente me convidou para assistir à conversa e um pouco do que foi dito coloco aqui para vocês.

***

Adriana começa falando da maior preocupação para quem está no curso ou para aqueles que estão interessados em ingressar na área: como e por onde começar. No caso dos universitários, Adriana ressalta a importância do estágio e é enfática:

nada supera a prática

A tradutora também diz que outra boa maneira de começar é trabalhar para um tradutor experiente, dica que pode ser aproveitada por quem não faz curso universitário de Tradução e, conseqüentemente, não pode fazer estágios. Nessa fase, inclusive, o aspirante a tradutor costuma fazer muitos testes para projetos de tradução, mas nem sempre é aprovado. Porém,

não ser aprovado em um teste não significa que sua carreira acabou

O que acontece, segundo Adriana, é que nem sempre o perfil do candidato se encaixa com o projeto em questão. Portanto, perseverar e se aperfeiçoar é fundamental na busca pelas primeiras oportunidades. Por outro lado, é preciso sempre ter em mente as próprias limitações. Adriana lembra bem que ter morado em outro país e ter tido convívio com a língua estrangeira não faz de ninguém um bom tradutor e erra quem pensa que traduzir um texto para o inglês é mais fácil do que para o português:

Conhecer outro idioma não é o suficiente. O tradutor precisa conhecer tanto ou mais sua língua materna para ser um profissional de sucesso. O primeiro passo para o fracasso é o excesso de auto-confiança. Enquanto você sentir aquele friozinho na barriga ao clicar em ‘enviar’, está no caminho certo

Adriana também esclarece alguns pontos sobre o mercado de trabalho para o tradutor autônomo. Explica que as agências de tradução brasileiras costumam pagar menos que as estrangeiras, porém têm um fluxo maior de trabalho. Independentemente de qual delas seja escolhida, ela lembra que o tradutor deve estar atento ao comprometimento com o cliente e à qualidade do seu trabalho. E alerta:

Entrar em uma agência no Brasil é mais fácil (…), mas sair porque não cumpriu prazo ou porque não entregou um trabalho de qualidade é um processo instantâneo para agências de qualquer lugar

Adriana diz que, passado algum tempo, o caminho natural é que o tradutor passe a ser descoberto por clientes, principalmente por meio de redes como ProZ e TranslatorsCafé. No caso das redes, ela chama atenção para o fato de ser essencial estar com a língua estrangeira em dia, pois muitas vezes esses clientes ligam diretamente para o tradutor para discutir um trabalho ou projeto. E como cobrar? A dica é consultar a tabela do Sintra, embora, de acordo com Adriana, a tabela apresente “valores do mundo ideal”, na maioria das vezes difíceis de serem praticados.

E, para finalizar, a tradutora destacou as ferramentas mais importantes para o dia-a-dia da profissão: PC com bom processador e boa placa de vídeo, conexão com a internet, CAT tools, dicionários, comunicadores como MSN e Skype, conversores de arquivos, entre outros.

Foi uma excelente oportunidade para os alunos terem contato mais próximo com a realidade da profissão. Sempre que puder, assista a palestras, participe de encontros e eventos ou simplesmente converse com tradutores mais experientes. É fundamental para quem quer entrar no mercado sem levar sustos ou ter supresas desagradáveis. Para completar o que foi passado pela Adriana, vale a pena ler  The disadvantages of being a translator. O título pode não ser muito encorajador, mas o texto é ótimo para quem quer estar realmente preparado!

ATUALIZAÇÃO: O título da palestra tem sim a ver com a Copa de 2014. Além do fato de, em 2014, os alunos estarem formados ou se formando, a intenção da Adriana era mostrar para eles que, começando a se preparar desde já, na época da Copa poderão ter boas oportunidades. Obrigada, Heitor 🙂

*Adriana de Araújo é tradutora técnica com licenciatura em Letras Português/Inglês e respectivas Literaturas e pós-graduada em Língua Inglesa com ênfase em TESOL. Com dez anos de experiência, traduz para áreas como biologia, química, TI, petróleo e gás, entre outras.

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3 responses to “Eu, tradutor em 2014!”

  1. Marylin Lima (Marie) says :

    Gostei muito desse post! São dicas valiosas!

    Um abraço e parabéns pelo blog!

  2. Heitor says :

    Quando vi o título achei que você fosse falar sobre trabalho na Copa do Mundo! 😛

    E eu não entendo gente que acha que traduzir pro inglês é mais fácil que pro português…

  3. Adriana says :

    Olá Lorena,
    Muito obrigada pela lembrança, mas principalmente pela sua presença no evento.
    Seu blog é um sucesso.
    Parabéns!

    Adriana

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