CAT tools: afinal, o que são?

Criação de glossáro no Wordfast

Algumas pessoas têm escrito perguntando sobre as CAT Tools. Essas ferramentas são muito importantes para os tradutores e facilitam nosso trabalho de inúmeras maneiras. Não sou uma expert e nem trabalho com todas as CATs do mercado, então meu objetivo com esse post não é dar informações técnicas sobre elas, mas sim esclarecer o que são e como elas podem nos ajudar. Para exemplificar, vou usar algumas imagens do Wordfast, uma das diversas CAT tools existentes e a que mais uso. Vamos lá?

O que são CAT Tools?

Computer-assisted translation tools (ou computer-aided translation tools) são ferramentas (mais especificamente, softwares) que auxiliam o processo da tradução feita por um humano.

Para que servem?

Ao contrário do que muitos imaginam, as CAT tools não fazem o trabalho no lugar de um tradutor, ou seja, não fornecem traduções automáticas [1]. Elas apenas são auxiliares dessa tarefa. O que elas automatizam é a parte manual do trabalho, ou seja, agilizam a digitação, facilitam a consulta de glossários e permitem criar um banco de dados de traduções, entre muitos outros recursos.

Como funcionam?

As CATs são softwares que instalamos no computador e não precisam da internet para serem usadas [2]. Veja abaixo os recursos básicos das CATs:

  • Oferecem visualização muito melhor do texto fonte, sem precisar alternar janelas ou traduzir por cima do original. Com a CAT, você tem os dois textos na mesma janela, um embaixo ou ao lado do outro, e o texto original é dividido em segmentos. Veja abaixo (clique na figura para ampliar):
Interface do Wordfast
  • No geral, não é preciso se preocupar com a formatação, pois a CAT já mantém a formatação do texto original na tradução.
  • Poder criar glossários e consultá-los enquanto se traduz. O Worfast, por exemplo, tem a opção de um glossário dinâmico; bastam alguns comandos para inserir termos no glossário ou para inserir um termo diretamente na tradução.
Ativação do glossáro no Wordfast
O destaque azul significa que a palavra está no glossário. Basta um comando para inserir a tradução dela na sua tradução.
  • Poder criar memórias de tradução. O grande lance das CATs é que tudo o que você traduz fica armazenado em uma memória. Caso você precise traduzir um texto com partes iguais a um texto que você já traduziu, não é preciso fazer tudo de novo. A CAT reconhece que um segmento já foi traduzido e o copia para você.

Por que é melhor traduzir com uma CAT tool?

Porque uma ferramenta como essa melhora muito a produtividade e a qualidade de nosso texto.

Mas como, se não é ela quem traduz?

As CATs nos ajudam a manter a consistência durante toda a tradução, já que podemos consultar termos nos glossários e inseri-los ao longo do texto. Com isso, não precisamos apenas confiar na nossa memória, ou então ficar voltando ao início do texto para verificar que palavra usamos para determinado termo no original. Isso resulta em otimização do tempo, pois avançamos mais rápido já que não precisamos fazer essas interrupções.

Além disso, ter todas as nossas traduções armazenadas significa poder traduzir textos com partes semelhantes muito mais rapidamente e sem grandes variações de termos. Outra vantagem de ter uma memória de tradução é avaliar o desenvolvimento de nosso trabalho, pois temos nossos textos antigos para avaliar nossas escolhas e melhorá-las ao longo do tempo.

É obrigatório traduzir com uma CAT tool?

Não. Inclusive, as CATs ajudam imensamente os tradutores técnicos, mas nem sempre são tão úteis para quem traduz literatura (o que não quer dizer que tradutores literários não podem usá-las ou que elas não sejam vantajosas em algum momento para eles). Quero dizer que nada é verdade absoluta, mas quanto mais pudermos oferecer para o mercado, melhor. E quanto mais pudermos ser rápidos e produtivos, mais o mercado nos quer.

Estou começando, qual a melhor maneira de investir nas CATs?

A melhor maneira é não se afobar. Primeiro, é preciso avaliar o que o mercado tem exigido de você. Se você nunca mexeu com CATs, a melhor maneira é usar as versões gratuitas para se acostumar com elas. Depois, se você preferir, pode fazer um curso da CAT à qual melhor se adaptou e comprá-la. Há CATs mais completas (e mais caras), que se alinham com as extensões de outras CATs, mas talvez você vá precisar delas em um outro momento. Portanto, não pule etapas. Entenda primeiro como elas funcionam, se acostume a lidar com elas, veja o que os clientes têm pedido a você [3] e depois avalie quais valem o investimento.

Onde posso achar informações mais detalhadas sobre as CATs?

Translators Training: esse site tem vídeos gratuitos que mostram um pouco sobre cada CAT tool. É ótimo para ver como são as interfaces das CATs.

Cattools.org: esse link traz breve explicação sobre as CATs, uma listinha de CAT tools e o resumo de quatro delas.

Tradução via Val: O Tradução via Val traz muitos artigos sobre CATs e sobre como lidar com elas. O primeiro texto do link é bem legal para quem está começando.

[Atualização] O amigo William Cassemiro deu a dica para esse ótimo link, com uma lista bem completa de CATs: http://www.traduzioni-inglese.it/tools-for-translators.asp?resource=Computer%20Aided%20Translation%20Tools

Outros links interessantes:

http://www.metatexis.com/cat.htm

http://en.wikipedia.org/wiki/Computer-assisted_translation

http://translationjournal.net/journal//34CAT.htm

***

[1] O Wordfast tem uma opção de acoplar o tradutor automático do Google. Porém, essa é uma prática anti-ética e totalmente mal-vista no mercado. Um tradutor não é pago para jogar um texto no tradutor automático e dizer que foi ele quem fez. Além disso, todo texto traduzido automaticamente é facilmente detectado, pois ele sempre tem erros grosseiros e muitas inconsistências. Tenho certeza de que você não quer correr o risco de queimar seu filme no mercado dessa maneira. 😉

[2] Há, agora, o Wordfast Anywhere, ferramenta simplificada para quem deseja trabalhar online: http://www.freetm.com/

[3] Muitos clientes exigem que você trabalhe em determinada CAT. Esse assunto dá pano para a manga. O ideal mesmo é que nós, tradutores, tenhamos a liberdade de escolher com quais ferramentas queremos trabalhar, mas nem sempre isso acontece. Você pode ler mais sobre esse assunto (e sobre vários recursos das CATs) aqui: http://pribi.com.br/traducao/traducao-quem-decide-com-qual-ferramenta-vou-trabalhar

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About Lorena Leandro

Tradutora e revisora no par EN-PT(Br)

20 responses to “CAT tools: afinal, o que são?”

  1. Bete Oliveira says :

    Post bem interessante, Lorena. A gente nem imagina o quanto de tecnologia está disponível por aí. Acho que o mais importante é aprender a usar essa tecnologia para otimizar o trabalho. Eu nunca tinha ouvido falar sobre wordfast, TRADOS, etc. Aos poucos, vou elaborando melhor a profissão como um todo.

    • Lorena Leandro says :

      É verdade, Bete!

      É sempre importante lembrar que, para ser tradutor profissional, é preciso ir além da tradução em si. Usar as novas tecnologias a nosso favor é um dos fatores essenciais para sobreviver no mercado de trabalho. Não se apavorar com as novidades e conhecê-las aos poucos, sem afobação, também é importante. Cada um tem um ritmo e um grau de familiaridade com as tecnologias, o que, sem dúvida, é preciso respeitar.

      Obrigada pela visita 🙂

  2. Sheila Gomes says :

    Muito bom, Lorena. Tenho certeza que para quem está começando, compreender a utilidade das CAT tools é essencial, especialmente para quem trabalha com agências, mas qualquer tradutor certamente sai ganhando com seu uso (sabendo usá-las, claro, pois são apenas ferramentas). Tenho apenas uma ressalva ao seu texto, e sei que posso ser alvo de crítica nisso, mas não acredito que o uso de Tradução Automática deva ser automaticamente descartado. O Google Tradutor utiliza exemplos usados em textos que podem ser muito similares aos que estão sendo traduzidos, e isso pode ser algo bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque ás vezes você quer saber qual o uso geral de um termo comum, e serve como sugestão. Que pode ser tão útil como pesquisar no Proz, por exemplo. Ruim porque você não quer, é claro, simplesmente copiar frases inteiras, mas somentes termos ou expressões, e aí assino embaixo de sua opinião. Eu utilizo o GT com muita moderação, mas ele já me ajudou algumas vezes, até dando soluções interessantes.

  3. Heitor says :

    Falando nisso, e aquela nossa missão Trados, sócia? =)

    • Lorena Leandro says :

      Pois é, hein, sócio, a gente não falou mais nisso! Sei não se não era melhor entrar direto numa missão MemoQ! 😛

  4. Lorena Leandro says :

    Oi Sheila,

    Seu comentário é muito pertinente, sim. Realmente, não há nada de errado em usar o GT para pesquisar, assim como usamos um corpus ou recorremos ao Proz e ao Linguee para verificar as ocorrências de determinadas traduções.

    O que não pode mesmo é utilizar as traduções do GT como se fossem suas e entregar o trabalho assim, copiado. Muitos iniciantes se animam com a ideia de colocar a tradução automática na CAT e fazer uma “revisão”, achando que essa é uma maneira de ganhar tempo (e dinheiro). Como eu disse, e você sabe, claro, essa prática não é nada ética (e nem um pouco inteligente, já que a gente sabe como é o resultado de uma tradução automática).

    Por isso eu costumo ser bem radical quanto a acoplar o GT na CAT. Quer pesquisar um ou outro termo? Vá direto no GT e faça sua pesquisa. mas pare por aí! 😉

    Obrigada por deixar aqui seu ponto de vista!

    Beijos 😀

  5. William Cassemiro says :

    Oi. Lorena.

    Uma boa lista para quem quer conhecer mais CATs pode ser encontrada aqui: http://www.traduzioni-inglese.it/tools-for-translators.asp?resource=Computer%20Aided%20Translation%20Tools

    Abraços.

    • Lorena Leandro says :

      Que link ótimo, William! Acho que vou atualizar o post com ele, muito obrigada pela dica! 🙂

  6. Paul W Dixon says :

    Congratulations Lorena on another excellent Blog Post! You have shed some light on the issue of CAT Tools, although I still prefer to work without CAT tools.

    I always read your blog, a real asset to translators throughout the world.

    PAUL

    • Lorena Leandro says :

      Oi, Paul!

      Então vocês faz parte da turma do “não é obrigatório”! 😉

      Obrigada por ler o blog e pelo incentivo de sempre, é uma honra!

      Beijos

  7. Paula says :

    Olá Lorena!!!

    Esse post caiu como uma luva!!! De forma didática e bastante esclarecedora, você escreveu o que eu estava precisando ler , bem no estilo iniciantes mesmo.

    Muito obrigada,

    Renilse

  8. Janaina says :

    Seu blog é ótimo. Mais um artigo muito esclarecedor. Muito obrigada. Parabéns pela iniciativa. 🙂

  9. mike says :

    alguém pode me falar Para que serve a Caixa de Pandora? no wordfast obrigado!!

  10. essatrout says :

    Caro Lorena, eu recomendo que você tentar usar essa ferramenta de tradução online e me diga sua opinião sobre ele: https://poeditor.com/. Na minha opinião, é o melhor até agora.

  11. lucianasoleilblog says :

    Olá Lorena! Muito bom o seu texto, com informações riquíssimas! Obrigada! Estou seguindo o seu blog!
    Estou concluindo uma pós-graduação em tradução e, como atividade do curso, preciso fazer uma entrevista com um tradutor que use CAT tools em seu trabalho. São apenas três perguntas. Se você tiver interesse em participar, entre em contato comigo. Ficarei muito grata!
    Um abraço e sucesso!

  12. Mariana says :

    Boa noite,Lorena. achei de grande valia este texto sobre as Cat tools. Eu sou professora de L.Inglesa e mais 4 disciplinas(escola publica consome a gente,rs) há 8 anos e ha pouco tempo comecei a interessar-me pela profissão de tradutor. Meu Inglês é básico,aprendi assistindo filmes sem legenda,ouvindo muita música e na Faculdade de Letras confesso que só vi o básico(o mesmo que assimilei no segundo grau).
    Estou aprendendo muita coisa no pouco tempo que tenho e vou aperfeiçoar-me a cada dia, creio que será menos estressante do que lecionar 9 turmas lotadas ( espero não estar enganada rs). Grande abraço a todos e bom final de semana.

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