Começando a me organizar III

Viver e trabalhar, nessa ordem

Ontem comentei sobre ter um ritmo mais devagar, desacelerado, um pouco diferente do que a gente vê num mundo tão agitado como o de hoje. Foi um certo alívio ter entendido que isso não é uma coisa ruim e que não me torna pior do que os outros.

Semana passada, inclusive, em pesquisas que estava fazendo sobre educação infantil e domiciliar, me deparei com esse artigo de um site que gosto muito, em que a autora cita passagens do livro A Preguiça, do Pe. Francisco Faus. Vejam que verdadeira uma dessas passagens:

Muitas pessoas oferecem a imagem de um ativismo desenfreado. Não param um instante. Vão de cá para lá, assoberbados de tarefas, numa incessante corrida atrás do tempo, que sempre se lhes torna escasso. As ocupações os envolvem como que num redemoinho. (…) Homens e mulheres desse estilo não são diligentes. São apenas agitados.

O Pe. Faus afirma que esse ativismo desenfreado também é um tipo de preguiça, uma preguiça mental/espiritual de parar e considerar o que estamos fazendo, e observa (grifo meu):

A mão que segura e governa as rédeas da atividade é a reflexão. Só quem pensa serenamente nos seus deveres, na maneira de conjugá-los, nas prioridades que entre eles deve estabelecer, nos passos necessários para executá-los, é que possui o governo da ação e do tempo. (…) Uma atividade madura e eficaz exige – como a planta necessita da terra em que se enraíza – o solo fecundo da serenidade e da meditação. É preciso que aprendamos a parar e a perguntar-nos: Por que estou fazendo as coisas? Como é que as estou fazendo? Atiro-me cegamente numa correnteza de ocupações desordenadas? Estou fazendo realmente o que devo e do melhor modo?

Pensemos em termos de produtividade. Não andamos vendo uma movimento anti-workaholic ultimamente? Aos poucos, as pessoas não estão mais se orgulhando de trabalharem 16 horas por dia e não terem tempo nem de pensar, mas sim procurando soluções para trabalhar menos de oito. Justamente para ter tempo de refletirem, conhecerem melhor a si mesmas e priorizarem as atividades familiares. Produtividade verdadeira não é ser frenético, mas sim conseguir realizar as tarefas com qualidade, de modo que não invada nossa vida pessoal.

Para que meu espaço de tempo de trabalho rendesse mais, por exemplo, adotei um modo de começar o dia que considero bom e “saudável” (e que vai acabar quando o bebê nascer, então estou aproveitando). Como acho altamente estressante acordar e já começar a trabalhar direto, primeiro preparo meu café, sento no computador e fico pelo menos uma hora comendo meu pãozinho e lendo sites e blogs de que gosto (tem vezes que não dá, infelizmente). Também dou uma olhada e respondo mensagens no Facebook e no e-mail. É um modo de começar o dia relaxada e passar a trabalhar com mais vontade, pois não fico ansiosa para parar e ler textos bacanas que deixei pra depois.

Para não ficar tentada a perder muito mais tempo no Facebook depois disso, instalei o Chrome Nanny e limitei o uso do FB para 30 minutos diários. Se usá-los todos durante a manhã, azar o meu! Fico o resto do dia sem ver, e tenho levado isso numa boa! Se depois do trabalho eu quiser usar mas o tempo foi cortado, abro em outro navegador. Solução simples e ótima para acabar com o vício e melhorar o rendimento do trabalho! E só não diminuo mais esse tempo porque ultimamente uso o FB mais para falar no grupo dos tradutores, e isso é assunto profissional.

Além disso, ter continuado a empregar técnicas para melhorar a produtividade, como a Pomodoro Technique (trabalhar 25 minutos, descansar 5 minutos)* e outras práticas das quais falei nessa outra série de artigos, apenas reforçou a busca por uma organização mais eficaz. E, assim, sobra mais tempo para a vida pessoal, que por sua vez também fica mais organizada. Tem pessoas, até, que adotam certos rituais para dar aquela respirada e voltar às atividades com mais força. Estou pensando em adotar algum também.

Amanhã vou voltar à listinha de coisas ruins da minha rotina, para avaliar como essas primeiras pequenas mudanças fizeram diferença.

*O comentário de uma colega tradutora no artigo de ontem me fez lembrar de comentar: quanto mais eu dividir meu serviço, melhor minha concentração fica. Pode ser que para algumas pessoas funcione trabalhar 1 ou 2 horas direto, ou não parar até terminar o serviço (às vezes, até faço isso). Mas, no meu caso, melhor trabalhar 25 ou 30 minutos e dar uma pausa rápida. Assim, vou no embalo trabalho/pausa/trabalho/pausa sem desviar o foco. Vocês já pensaram em qual esquema é melhor para vocês?

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3 responses to “Começando a me organizar III”

  1. betesbc says :

    “Produtividade verdadeira não é ser frenético, mas sim conseguir realizar as tarefas com qualidade, de modo que não invada nossa vida pessoal”. Muito bom!!

  2. Lorena Luna says :

    Oi chará (ou xará?)! Estou começando a ler seu blog, e estou adorando! Quero ser tradutora e estou lendo várias coisas a respeito disso. Adorei esse post, me identifiquei muito. Também tenho um ritmo mais lento e sempre me senti culpada por isso. E tenho grandes problemas com concentração também. Amei as dicas! Obrigada! Beijos!

  3. Lorena Leandro says :

    Oi Lorena, xará! Seja bem-vinda e espero vê-la mais vezes por aqui! Super beijo!

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