Archive by Author | Heitor M. Corrêa

Tradutor, etc.

Olá!

Antes que o prazo acabe, aqui estou eu para continuar narrando minha saga de traduzir e trabalhar ao mesmo tempo.

Como assim “traduzir e trabalhar”? Calma, eu falei de propósito. Pois é, muita gente acha que traduzir é uma tarefa fácil e automática, basta saber um segundo idioma para pegar um texto e convertê-lo ao português, por isso a tradução é apenas um bico ou hobby, não uma profissão. A experiência, no entanto, mostra o contrário.

Quando recebi do Daniel o convite para dividir a tradução do livro, fiquei hesitante. Ingressar na área editorial era meu grande desejo, mas me parecia uma meta mais distante, para a qual eu só estaria pronto quando pudesse me dedicar exclusivamente à profissão de tradutor. Não sabia se, tendo só o período noturno disponível, daria conta do prazo nem do nível de transpiração que a missão me exigiria. Porém a oportunidade falou mais alto e a hesitação não durou mais que um ou dois dias.

Quando se inicia um trabalho de tradução (após os acertos burocráticos com o cliente, que não são o foco aqui), especialmente um de grande porte como um livro, é preciso projetar o que vem pela frente. Em primeiro lugar, as condições gerais, como o prazo de entrega, nossa capacidade de produção diária, a conciliação com outros projetos e outras atividades, a complexidade do texto a ser traduzido e as especificações técnicas.

Um dos fatores que mais nos deram trabalho foi o ajuste às instruções dadas pela editora, como a forma de tradução de tabelas e legendas, o que fazer com alguns nomes próprios e, principalmente, a instalação do modelo de lauda para o Word, que tinha de ser renovado periodicamente. Tudo isso deve ser pensado minuciosamente quando se examina o trabalho.

Ao se encarar o texto propriamente dito, também é preciso estar preparado para tudo. Imagine que você recebeu um livro de Psicologia para traduzir. Você tem formação de psicólogo e, portanto, familiaridade com a maioria dos conceitos abordados pelo autor. Problema resolvido?

Ao longo do trabalho, fui esbarrando em diversos assuntos totalmente diversos. Por exemplo, em um dado capítulo, para falar sobre sensação e percepção, o autor aborda os cinco sentidos do corpo humano, descrevendo tim-tim por tim-tim as estruturas e o funcionamento dos olhos, dos ouvidos etc… Achei que tinham me dado por engano um livro de Ciências!

Também não são raras as referências a esportes típicos dos Estados Unidos, como o beisebol e o futebol americano (a única menção ao nosso futebol é ao feminino). E lá fui eu ter que descobrir o que eram um pitcher, um halfback, e por aí vai. Isso ilustra a importância da cultura geral do tradutor.

E isso para não falar da corrida contra o tempo, especialmente para quem tem poucas horas por dia – ou melhor, por noite – para dedicar à tradução. (Ai!… Desculpem, é o prazo mordendo meus calcanhares.) Até porque, num projeto de vários meses, nem sempre é fácil manter o ritmo ao longo de todo o trabalho. Há dias em que temos várias coisas para fazer, ocorrem imprevistos ou simplesmente bate aquele cansaço…

Por essas e por outras, o ofício de tradutor, apesar de muitas vezes prazeroso e estimulante (quando se tem um bom texto em mãos!), nada tem de simples. É bom estar sempre ligado.

Heitor M. Corrêa

heitor.correa@ymail.com

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Tradutor, etc.

Olá!

É com muito prazer que estreio este espaço aqui no Ao Principiante.  A partir de hoje, vou aparecer aqui periodicamente para narrar a aventura pela qual estou enveredando desde meados de 2010: a tradução de um livro, simultaneamente a um emprego em outra área.

Mas para vocês entenderem como isso aconteceu, é bom eu contar um pouco da minha trajetória. Meu nome é Heitor M. Corrêa, tenho 28 anos e moro no Rio de Janeiro. Sou formado em Psicologia pela PUC-Rio, embora logo tenha percebido que essa escolha não foi a ideal. Meu primeiro contato com a tradução ocorreu ainda na faculdade, quando cursei eletivamente a disciplina de Iniciação à Tradução.

Em 2008, já com um ano de formado, voltei à PUC para o Curso de Formação de Tradutores Inglês-Português. Foi o passo que faltava para a ideia se transformar em meta: a tradução era o meu caminho.

Foi no período do curso que fiz outra importante descoberta: a comunidade Tradutores/Intérpretes BR (ou 50302, para os íntimos), no Orkut. Sim, o Orkut é um verdadeiro mar de abobrinhas, mas nessas águas também é possível pescar grupos de grande valor, como essa comunidade repleta de profissionais competentes e bem-sucedidos, onde tive a oportunidade aprender lições valiosas sobre o mercado e o ofício da tradução, além de conhecer pessoas muito importantes, como a Lorena e outras de quem falarei adiante.

Eis que, por ironia do destino, logo após o término do curso surge uma oportunidade de emprego como psicólogo. Entrei, e… não demorou muito para começarem a aparecer alguns trabalhinhos de tradução!

No final de 2009, fiquei sabendo do Prêmio Novos Tradutores, promovido pela Coordenação de Pós-Graduação da Universidade Gama Filho (UGF), que premiaria tradutores literários iniciantes na profissão. Imediatamente me inscrevi na categoria Inglês e, traduzindo o conto Hermann the Irascible, de Saki, em junho de 2010 tive a felicidade de ficar entre os 10 finalistas do concurso! Foi assim que começaram a nascer esta parceria com a Lorena e a experiência que vou narrar aqui.

Pouco tempo depois da divulgação do resultado, fui convidado pelo tradutor e amigo Daniel Estill, também membro da 50302, a dividir a tradução de um livro didático, não por acaso, de Psicologia. Daniel é marido da Adriana Rieche, que foi minha professora no Curso de Formação, e, após ouvir dela boas recomendações a meu respeito e observar minha participação na comunidade, decidiu depositar sua confiança em mim.

Então, em julho começou a aventura de dividir meu tempo entre a empresa, durante o dia, e o livro, à noite. Uma tarefa que exige dedicação intensa, mas extremamente estimulante para quem ama a tradução. Mas isso já são cenas do próximo capítulo…

Até lá!

Heitor M. Corrêa

heitor.correa@ymail.com

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