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Como foi o VI Congresso da Abrates para os iniciantes?

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Depois de uma semana pós-congresso ocupadíssima, finalmente venho falar um pouco sobre o VI Congresso Internacional de Tradução da Abrates! Muitos tradutores já publicaram ou estão publicando seus relatos com ótimas descrições de palestras, então quero fazer aqui uma abordagem um pouco diferente. Vamos falar de como foi o congresso para os iniciantes?

Para começar, devo dizer que me surpreendeu o número de iniciantes presentes no congresso. A gente sabe que nem sempre é fácil para quem está começando comparecer a eventos, inclusive por questões financeiras. Foi, portanto, uma ótima surpresa ver tanta gente que se esforçou para estar lá aproveitando o evento ao máximo.

A atitude dos iniciantes também foi um ponto alto do congresso, para mim. Muita gente veio falar comigo, contar sua história, tirar dúvidas ou apenas dar oi, e eu achei o pessoal super confiante e com um bom toque para o networking. Ponto para vocês!

Também foi fantástica a ideia da organização de dividir as salas por temas. A sala 6, onde fiz minha apresentação, era somente para palestras voltadas a iniciantes. Aliás, quero agradecer mais uma vez a presença de vocês. Especialização é um tema que dá pano para a manga e eu tentei, ao máximo, abordar os pontos mais pertinentes para quem está procurando um nicho. Quem não foi pode 1) dar uma conferida “passeando” pela minha apresentação no Prezi (clique na imagem abaixo) e 2) ler o relato bacana que a Laila Compan, do blog Tradutor Iniciante, fez sobre a palestra (com direito a selfie e tudo!).

Gostei demais das contribuições que algumas pessoas fizeram durante a palestra. Sabe o que deu para sentir com elas? Que, cada vez mais, os iniciantes estão perdendo aquele sentimento de que quem está começando é um amador. Não! Vocês, durante os três dias de evento, mostraram que estão começando mesmo é com o pé direito: são profissionais inteligentes, buscando uma boa colocação na área que escolheram e que sabem se posicionar. Fiquei orgulhosa, de verdade!

Tenho certeza de que todos os principiantes que estiveram no congresso saíram fervilhando de ideias e com a rede de contatos mais completa. Lembro do primeiro evento em que compareci (o CIATI, que era organizado pela Anhanguera) e de como eu saí diferente depois de ter ouvido o que excelentes profissionais tinham a dizer. E pessoas que conheci lá fazem parte da minha rede até hoje (algumas, mais tarde, viraram inclusive parceiras em trabalhos importantes). Não se pode subestimar a mágica que acontece nesses eventos e seus efeitos em curto, médio e longo prazo.

Por isso que, hoje, ao dar uma palestra (essa é a minha terceira), eu sinto que retribuo o que fizeram por mim quando eu era iniciante. Um dia, sei que muitos de vocês farão o mesmo, fazendo a roda girar, renovando o círculo de palestrantes e gerando novas ideias para o setor. Sim, pelo que vi nesse congresso, já consigo visualizar vocês lá no futuro, brilhando!

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Rotina de trabalho: organização para uma tradução de qualidade

Não raro ficamos tão preocupados com a qualidade da nossa tradução que concentramos toda nossa energia apenas no ato de traduzir. Com isso, acabamos esquecendo  que um projeto vai muito além da tradução propriamente dita.

A verdade é que o bom resultado de um projeto depende não somente de como traduzimos o texto ou de quantas vezes o revisamos, mas também da nossa rotina de trabalho como um todo. Quando sentamos para trabalhar, é necessário fazer uma preparação antes de começar a traduzir de fato. Sem essa organização prévia ficamos mais suscetíveis a cometer erros e a perder mais tempo do que deveríamos. E isso, é lógico, compromete a qualidade final do serviço.

Para que você possa garantir uma tradução bem feita e não se desgastar por mera desorganização, veja abaixo alguns procedimentos importantes que você pode seguir antes de colocar a mão na massa.

Abra uma pasta para o projeto

Tenha sempre um lugar específico para os seus projetos, onde você possa encontrar/salvar rapidamente os arquivos relacionados ao job. Costumo subdividir minhas pastas da seguinte maneira:

Nome do cliente > Ano > Mês > Nome do projeto [incluir subpastas aqui se necessário, por exemplo: Referências, TM, Glossários]

Leia atentamente o e-mail do cliente

Leia tudo sem pressa e salve as informações mais importantes. Para isso, costumo usar o Evernote (aguardem um post só sobre ele!), onde abro uma nota específica para cada job e reúno todas as instruções do cliente. Deixo essa nota aberta durante o projeto, para poder consultar sempre que necessário. O bom do Evernote é que não é preciso estar online ou com o navegador aberto para ter acesso às notas. E eu uso a versão gratuita mesmo.

Salve os arquivos

Baixe e verifique todos os arquivos enviados para ver se estão todos corretos. Se for usar uma ferramenta CAT, dê uma olhada em tags, segmentações, contagem de palavras, TM, glossários, etc.  Quanto antes você fizer isso melhor, pois se houver algum arquivo com problema, logo o cliente poderá lhe passar a versão correta, não comprometendo o seu prazo ou o dele.

Organize as referências do projeto

Abra, salve ou deixe acessível os arquivos e links que precisará consultar ao longo do job: glossários, guias de estilo, documentos para referência visual, etc.

Leia rapidamente o texto

Você provavelmente fez isso quando o cliente o consultou pela primeira vez. Agora, antes de começar a traduzir, dê uma nova passada de olho para sentir o tom e manter o padrão do texto desde o começo.

Consulte o guia de estilo

Eu sempre costumo abrir o guia de estilo enviado pelo cliente e dar uma lida rápida antes de começar a traduzir. Sempre tem uma ou outra instrução especial para seguir e é mais seguro tomar conhecimento delas desde o início. Depois, vou consultando o guia quando preciso ou quando bate alguma dúvida.

Tire as primeiras dúvidas

Muitas vezes, depois da primeira passada de olho no original, surge alguma questão sobre terminologia, padronização, público-alvo ou algum outro aspecto importante para a tradução. Se essas questões não estiverem inseridas nas instruções ou materiais enviados pelo cliente, aproveite para tirá-las antes de começar a trabalhar.

Reserve um lugar para anotações

No computador ou na sua mesa de trabalho, deixe disponível um lugar para registrar dúvidas durante o projeto. Assim, fica mais fácil reunir tudo para enviar um e-mail completo ao cliente (em vez de enviar vários e-mails e lotar a caixa de entrada dele) ou manter a padronização do projeto.

Ative o modo de produtividade

Deixe preparados recursos/ferramentas/programas que ajudem você a ser produtivo e manter a concentração.

Não se esqueça também de:

– Fechar todas as janelas, pastas e arquivos que não sejam necessários para o projeto
– Deixar por perto seus dicionários/glossários em papel preferidos
– Ativar os recursos de backup para não perder o trabalho todo ou parte dele
– Rever o cronograma e replanejar tarefas se necessário
– Livrar-se de distrações e deixar o ambiente agradável para trabalhar
– Se for ficar muitas horas trabalhando, já deixe um copo de água/suco/chá e um lanchinho à mão

Agora, sim, mãos à obra!

De generalista a especialista: o que há no meio do caminho?

Vocês já devem ter visto que a programação do VI Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da Abrates saiu esta semana, não é? E eu estarei lá para batermos um papo sobre especialização!
Estou levando um pouco da minha bagagem profissional e um material muito bacana para ajudar você a identificar oportunidades de especialização e poder trilhar o melhor caminho para se tornar um bom especialista e um profissional bem sucedido.
Nos vemos lá? 🙂
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De generalista a especialista: o que há no meio do caminho? 
Uma perspectiva para o tradutor principiante

 
Após a conquista de ter entrado efetivamente no mercado de tradução, outro grande desafio se apresenta ao tradutor em início de carreira: como encontrar um nicho de especialização? A busca incessante por bons serviços e clientes, típica dessa fase, o transforma em um grande generalista, que lida com textos dos mais variados setores, mas dificilmente se aprofunda em algum.
 
É normal que para o iniciante as oportunidades de especialização nem sempre se mostrem claras. Sem conseguir identificá-las, ele não sabe quais ações tomar rumo à carreira como tradutor especializado. “Engessado” por essa dificuldade, os primeiros passos resultam em esforços muitas vezes desnecessários e atrapalham a decisão por uma área de atuação adequada. Isso pode levar a baixa qualificação, dificuldade em prospectar clientes melhores (e, consequentemente, elevar o patamar de preços), problemas em estruturar a rotina de trabalho e financeira, frustração com a profissão em geral e até abandono da atividade.
 
A ideia é mostrar a você, iniciante, como identificar oportunidades de especialização e o caminho para se tornar um bom especialista, unindo minhas experiências pessoais e profissionais com soluções, insights e dicas práticas que poderão facilitar esse processo.

Dizer “não” é importante. Não dizer, também.

Um dos principais conselhos que os tradutores experientes dão aos inciantes é saber dizer “não”. Realmente, é essencial diferenciar boas oportunidades de possíveis ciladas. É preciso coragem para negar uma oferta de trabalho que, a princípio, parece boa. Há de se avaliar e colocar na balança as vantagens e desvantagens do serviço e verificar se, apesar de parecer um trabalho interessante, ele poderá minar outras parcerias que compensarão mais financeira ou intelectualmente. Ao mesmo tempo, existem horas em que o “não” pode ser inconveniente e ter consequências ruins para a carreira em curto, médio ou longo prazo. É aquele “não” simplesmente dito na hora errada, por falta de experiência ou visão.

Veja abaixo em que casos um “não” pode impulsionar sua carreira ou fazer você dar dois passos para trás.

DIGA NÃO para:

– Exploração. Quando você recusa uma oferta que demanda muitas horas de trabalho e remunera pouco, ou quando não aceita condições aviltantes, está abrindo caminho para trabalhos melhores. Eles podem demorar para chegar, mas chegarão, e você poderá aceitar porque não estará ocupado com clientes que desmerecem seu esforço.

– Trabalho dobrado. Quando você entende qual a sua parte do trabalho e sabe que, se ultrapassar essa linha, estará abrindo um precedente perigoso, evita trabalhar a mais sem ganhar por isso ou ter que consertar o mau serviço que outros fizeram, coisas que realmente não compensam fazer.

– Más práticas para o setor. Tem muita gente mal intencionada querendo passar por cima das boas práticas do setor. Recusar tipos de serviço ou atividades que, no geral, costumam ser prejudiciais à categoria de tradutores como um todo é muito importante para desencorajar outros a fazerem o mesmo.

– Clientes ruins. Pode ser um mau pagador, ou um cliente inflexível, ou um cliente simpático mas que não aceita seus reajustes. Substituir clientes serve também para fazer o cliente entender que qualidade é importante, assim como uma negociação justa.

– Quebra da ética profissional. Piratear programas, passar por cima de direitos autorais, quebrar acordo de confidencialidade, falar mal de clientes ou colegas, repassar trabalho sem autorização, assinar sem ter feito o trabalho. As notícias correm rápido e se você aceitar quebrar a ética em qualquer situação, pode se queimar com muitos parceiros e clientes. Além, claro, de ter que lidar com o peso na consciência.

– Traição de princípios pessoais. Pense bem antes de trabalhar com um texto ou participar de um projeto cujo teor lhe cause mal-estar só porque o dinheiro é bom. Isso fecha portas porque enquanto você está fazendo algo que fere suas crenças, poderia estar investindo em trabalhos que agregariam muito mais ao seu currículo e à sua trajetória pessoal e profissional.

NÃO DIGA NÃO para:

– Avanço. Novas ferramentas e tecnologias estão a serviço do tradutor, e não contra.

– Ousadia na medida certa. Todo tradutor passa por um momento em que precisa decidir se vai o não virar o jogo. Para conseguir novas oportunidades, é preciso ousar na hora certa e não ter medo de mudanças.

– Flexibilidade. O bom profissional está sempre testando um jeito diferente de fazer a mesma coisa, um modo mais eficaz de produzir e entregar um trabalho de qualidade. Não fique inerte e, sempre que puder, atualize seu modus operandi.

– Diálogo. Seja por medo ou por orgulho, muitos tradutores acham que tirar dúvidas é sinal de fraqueza. Não é. Muitas vezes, fazer uma simples pergunta pode esclarecer o que o cliente espera de você e evitar muito dor de cabeça no futuro.

– As necessidades do cliente. Se dois tradutores são muito competentes, mas apenas um deles é colaborativo, é este último que conquistará o cliente.

– Educação do cliente. Clientes, em especial os diretos, não são obrigados a entender nosso universo. Muitas vezes, o que consideramos ser uma proposta indecente, é apenas falta de conhecimento por parte do cliente. Não hesite em ajudá-lo a compreender como trabalhamos e o que seria melhor para ambas as partes.

– Honestidade com o cliente. Não é vergonha nenhuma dizer que não sabe mexer em uma ferramenta, ou que nunca fez o tipo de trabalho que o cliente está querendo de você. Pelo contrário, é uma excelente oportunidade de se mostrar proativo e de lidar com novas situações que aumentarão seu conhecimento e experiência. Disto podem surgir até novas áreas de atuação.

– Aprendizado com o cliente. Muitas agências e até mesmo clientes diretos se mostram bastante dispostos em apontar caminhos e soluções que facilitam nosso trabalho. Não ser arrogante e se mostrar aberto a sugestões e esclarecimentos é carta na manga de quem quer formar uma parceria duradoura com o cliente.

– Aprendizado com os colegas. Tradutores com muitos anos de trabalho e experiência estão por aí, nas redes sociais e nos eventos, aconselhando e repassando conhecimento aos mais novos. É claro que é preciso separar o joio do trigo, pois nem todo conselho é útil, correto ou se aplica a você, mas deixe de lado a birra “iniciantes x veteranos” e beba da fonte sempre que possível.

– Trabalho em equipe. Tradutores são seres solitários? Nem sempre. Ou melhor, quase nunca. Em um projeto, precisamos lidar com clientes, gerentes de projeto, revisores, outros tradutores que trabalham no mesmo projeto etc.. Ter espírito de cooperação e saber lidar com opiniões diferentes é a chave para conseguir boas indicações e, consequentemente, outros bons trabalhos.

Medo de ser tradutor? Tem cura!

Depois que contei sobre como virei tradutora lá no Multitude e de como, inicialmente, tive medo de me atirar na profissão, algumas pessoas me perguntaram: como perder esse medo?

É natural que o recém-formado ou novato na profissão sinta insegurança. Mas há alguns modos de lidar com ela e tomar coragem para investir na vida de tradutor. Confira abaixo:

1) Entenda o mercado e o ofício de tradução

Não saber direito como funciona o mercado ou o cotidiano da tradução é a fonte da maioria dos medos do tradutor novato. Como ele vai saber o que esperar e como agir se não conhece os meandros da profissão?

Pesquise e leia muito sobre o que faz parte do mundo tradutório: como trabalha um tradutor, regime CLT e autônomo,  valores cobrados, produtividade e ergonomia, tipos de clientes/pagamentos, tipos e formatos de serviço, exigências e qualificações e por aí vai. Não deixe nada de fora.

2) Identifique seu medo

De que, exatamente, você tem medo? De não saber traduzir com qualidade? De ser seu próprio patrão? De não ter disciplina com o dinheiro? De negociar com clientes? Uma mistura de tudo isso?

Todos nós temos pontos fracos. Além de identificar o que mais aflige você, procure perceber  também em quais dessas áreas você teria mais dificuldade, para atacá-las primeiro.

Além disso, faça uma análise mais fria: seus medos têm fundamento real? Ter insegurança é normal em todo começo de carreira e algumas delas são perfeitamente contornáveis. Saiba diferenciar uma simples insegurança de uma dificuldade real. Ter dificuldades em determinadas áreas não significa que você não serve para ser tradutor. Quer dizer apenas que precisará preencher as lacunas que se apresentarem no início.

3) Prepare-se

Para preencher essas lacunas e se sentir realmente preparado para o mundo real da tradução, é preciso a) se informar e/ou b) se aperfeiçoar.

Se você tem dificuldades em entender como é ser um profissional autônomo, por exemplo, pode ler blogs de tradutores que falam sobre isso, consultar sites como o do Sebrae, conversar com um contador, falar com administradores e donos de negócios próprios que você conheça e por aí vai.

Se você sente que ainda precisa aperfeiçoar a língua com a qual vai trabalhar, inscreva-se num curso ou estude sozinho, leia muito, pesquise. Hoje o que não falta é material disponível!

4) Saia da bolha

Ler, pesquisar, se informar… Tudo isso é essencial, mas pode não ser o suficiente para se ter noção da realidade do mercado. Para ter uma ideia mais fundamentada sobre o cotidiano de trabalho do tradutor, só mesmo conversando com outros tradutores.

Participe de grupos e listas de discussão, converse e tire dúvidas com tradutores mais experientes, compareça a eventos, mostre-se interessado. É nesse momento, quando se aproxima dos colegas tradutores, que você deixa de ter uma visão romântica da profissão e passa a encará-la como uma verdadeira ocupação. E, consequentemente, perde medos oriundos da simples falta de informação.

Além disso, conversar com quem já está inserido no mercado ajuda a entender a ética da profissão, os principais problemas que os tradutores enfrentam, as melhores práticas do mercado, de quais ferramentas precisa um tradutor etc..

Atire-se!

Mãe e freelancer: o que aprendi até agora e algumas dicas

Essa é a segunda parte (leia a primeira aqui) do meu artigo respondendo a dúvidas de uma leitora que quer iniciar na tradução para, entre outras coisas, poder passar mais tempo com o filho pequeno. Portanto, hoje o artigo será dedicado ao que se pode esperar da rotina de mãe e freelancer. Clicando nos links ao longo do texto, você poderá ler outros artigos sobre o assunto.

2013 foi o primeiro ano em que me dividi entre maternidade e trabalho. Aprendi muita coisa e a palavra que definiu esse período foi “adaptação”, sem sombra de dúvidas. Para que essa adaptação seja mais tranquila, compartilho abaixo um pouco da minha rotina e algumas dicas de como tornar o dia-a-dia mais fácil.

Prepare-se para diminuir o ritmo

Antes de ter meu filho, eu chegava a trabalhar até 12 ou 13 horas num dia, dependendo do tamanho ou da quantidade de projetos. Como estava começando na vida de autônoma, me acostumei com esse ritmo pois era um momento de muita prospecção de clientes, de tentar coisas novas, de testar a produção diária.

Quando engravidei, o ritmo já não estava tão insano, mas ainda assim trabalhava o dia todo, entre seis e oito horas.  Já na própria gravidez comecei a desacelerar, especialmente porque o corpo pediu. Quando tive meu filho, fiquei quatro meses longe dos teclados.

A volta ao trabalho foi bem gradual. Precisei pensar muito bem em quantas horas poderia trabalhar por dia, e não seriam muitas. Sem babá ou empregada, quem cuidaria do pequeno seriam as vovós durante as tardes, então precisei me organizar de acordo com a agenda delas.

Sair de 13 horas de trabalho diárias para no máximo quatro é uma diferença brutal. No começo a gente sente como se ainda estivesse fora da vida profissional, como se fosse apenas um ensaio para a grande volta. Mas depois acostuma. E acabamos fazendo escolhas mais inteligentes por conta disso: escolhemos os clientes a dedo, não pegamos mais trabalho do que daremos conta, administramos melhor o tempo de trabalho.

Dica 1: se você está grávida, já vá pensando em quais clientes deseja manter e quais deseja dispensar quando voltar da licença. Cultive os primeiros e vá largando os segundos aos poucos.
Dica 2: se você está deixando a vida de CLT para a de autônoma, o começo vai ser devagar mesmo. No início, seu tempo de trabalho será dedicado para prospectar clientes, estudar, participar de eventos. Leve isso a sério, porque isso é trabalho também, e se você fizer direito, renderá ótimos frutos.

Saiba aproveitar o tempo

Procrastinação todo tradutor autônomo conhece. É difícil manter a concentração e a produtividade sempre, todos os dias. O problema é que quanto mais tempo a gente tem, mais procrastina, porque sabe que “pode” deixar para depois.

Mas quando a gente é mãe e nossos filhos ainda não vão para a escola, ou contamos com ajuda limitada, sabemos que se não fizermos o trabalho naquela hora, dificilmente teremos outro momento para continuar ou finalizar a tarefa. É uma espécie de “agora ou nunca”. Claro que, ainda assim, especialmente se o prazo for folgado, haverá aquelas dias de produção baixa, por causa de uma série de fatores: cansaço, doença, imprevistos. Isso só não pode se tornar regra.

Portanto, é preciso saber se organizar e alocar o tempo para cada serviço, tentando não deixar as coisas da casa invadirem o horário de trabalho e vice-versa.

Dica: não use todo e qualquer horário para colocar o trabalho em dia. O melhor é trabalhar na hora que precisa trabalhar, descansar na hora que precisa descansar. Assim você não gasta energia fora de hora e pode passar mais tempo com seu filho ou cuidando dos assuntos domésticos.

Não estranhe se suas prioridades mudarem

(…) lembre-se de que você é uma só e que, a partir do momento em que se torna mãe, essa é a sua profissão principal. (leia aqui o artigo completo da Rafa Lombardino)

A Rafa não poderia estar mais certa com essa frase! Quando a gente é mãe, o foco simplesmente muda. Se antes, toda a minha concentração e maior parte dos meus esforços iam para o trabalho, hoje é totalmente diferente.

Por mais que tenha sido difícil diminuir o ritmo de trabalho, hoje não me vejo trabalhando mais do que cuidando do meu filho e da minha casa. Eu confesso que era bastante negligente com os assuntos domésticos antes de engravidar, e achava que toda a minha energia tinha que ir para o trabalho.

Atualmente, não me importo de trabalhar menos (e, consequentemente, ganhar menos também). Eu fico feliz de ter encontrado o equilíbrio entre casa e trabalho, e acho que jamais voltaria a negligenciar meu lar por conta dos compromissos profissionais. Tenho plena noção de que, para muitas pessoas, essa negligência não é voluntária, mas sim uma imposição das circunstâncias. Por outro lado, escolher a vida de autônomo pressupõe justamente ter a liberdade de escolher também o que vamos priorizar.

Se você está passando da vida de CLT para a de autônomo a fim de passar mais tempo com seu filho, tenha essas coisas em mente. Enquanto seu(s) filho(s) forem pequenos, muito provavelmente você não ganhará tanto quanto antes, porque não trabalhará tanto quanto antes. E isso não é problema algum. É que, no começo, é difícil mesmo deixar de se enxergar somente como profissional. Mas, aos poucos, a equação vai mudando, e a proporção entre vida doméstica e trabalho também.

Dica: nem todo cliente é carrasco. Há clientes que compreendem sua situação se você jogar aberto com eles. Eu tenho deixado claro que não posso aceitar trabalhos de urgência ou prazos muito apertados, e não tem faltado trabalho. Se você for competente, o cliente vai passar serviço mesmo assim, porque ele sabe que receberá um trabalho bem feito. Portanto, nunca aceite um trabalho se você não vai dar conta. Perder um prazo ou entregar um trabalho de baixa qualidade é garantia de perder o cliente também.

Estabeleça uma rotina (sabendo que ela pode mudar)

Já tivemos várias rotinas desde que meu filho nasceu. As fases da criança mudam, nossa rotina também. Algumas são mais tranquilas, outras mais complicadas, mas a rotina é sempre bem-vinda.

É preciso pensar em diversos fatores quando queremos definir uma rotina que inclua os serviços profissionais e domésticos, sem embaralhar tudo. Por exemplo:

Em que horários você poderá ficar sozinha para trabalhar?
Dá para conciliar esses horários com seus horários mais produtivos?
Qual a melhor hora para cozinhar para o seu filho?
Dá para congelar a comida e não precisar fazer almoço todo dia?
E a limpeza? Tem faxineira, empregada ou é tudo por sua conta?
Em que horário você poderá limpar a casa sem atrapalhar a rotina profissional?
E os fins de semana?
Você trabalhará aos sábados e domingos?
Vai separar um dia da semana ou dois para descansar?

Enfim, são algumas perguntas básicas a se fazer antes de estabelecer seus horários. Como exemplo, posso falar um pouco do que funciona para mim.

De manhã me dedico somente à casa (limpeza, comida etc.) e ao meu filho. Mesmo quando tenho um tempinho nesse período, uso-o para mim. Pode ser para tomar um banho mais longo, ou para escrever um artigo para o blog. Enfim, as manhãs são nossas.

À tarde, meu filho fica com minha mãe ou minha sogra, dependendo do dia da semana. É hora de produzir o máximo que der, enviar e-mails, cobrar clientes.

À noite, é hora de descansar, cozinhar se precisar, sair um pouquinho nos dias quentes, ler, conversar com o marido, dormir,  enfim… Um apanhado de coisas que não deu para fazer durante o dia.

Fins de semana são para descansar (a rotina da semana já é muito pesada, não é?), passear e me dedicar à família. Raramente trabalho, mas se precisar, faço alguma coisa no sábado. No domingo, nunca.

Dica 1: a dinâmica da rotina pode mudar (inclusive de um dia para o outro). Para ajudar a manter uma certa consistência em meio às mudanças, estabeleça uma rotina ideal, que vai ajudar a manter a rotina real (entenda melhor aqui).
Dica 2: seja flexível. Não é sempre que conseguimos cumprir o que planejamos, do jeito que planejamos. Às vezes temos um dia muito produtivo e no outro estamos cansados demais. Veja as pequenas mudanças na rotina como algo natural e não se cobre pelo que acabou deixando de fazer. Saber re-planejar é essencial.
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