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Novas oportunidades, novos dilemas

Olá!

Na última coluna, falei da expectativa de uma mudança que me daria a oportunidade de me aproximar ainda mais do mundo da tradução, mesmo que não como tradutor em tempo integral. Pois bem: ela se concretizou no dia 30 de julho! Desde então estou no serviço de tradução da biblioteca da empresa em que trabalho.

O trabalho lá não consiste em traduzir propriamente, uma vez que isto é feito por agências externas. A nossa tarefa é captar as solicitações das diversas áreas da empresa, encaminhar para uma dessas agências, receber a tradução pronta, conferir e enviar para o cliente. Digamos que seja basicamente o trabalho de uma agência, com a diferença de que entre nós e o tradutor o pedido passa por outra agência.

E não é pouca coisa, uma vez que diariamente recebemos inúmeros pedidos e traduções prontas para devolver à unidade solicitante. A maioria, versões do português para o inglês, mas também de vários outros idiomas (do árabe ao japonês) e em ambas as direções – às vezes, até para traduzir um mesmo texto para duas línguas diferentes. Isso tudo sem deixar de seguir certos padrões, cumprir os prazos e cuidar da qualidade do serviço prestado. É aí que começa a ficar mais interessante.

Uma das razões por que fui indicado para a vaga foi a minha experiência com tradução. Como cheguei há pouco tempo, as minhas atribuições específicas ainda não foram definidas, mas já tive a oportunidade de revisar algumas traduções. No entanto, isso já me deixou num dilema. Na primeira que me foi pedida, um texto de mais de 20 páginas, que me custou mais de um dia, tentei deixá-lo “limpo”, apontando erros de gramática, digitação, redação, além do famoso “tradutorês”. Apenas para ser instruído depois a corrigir apenas os erros mais crassos, ou só o que fosse “erro mesmo” (para mim, todos eram!), já que é preciso entregar o serviço no prazo e as correções são descontadas no pagamento à agência. Nas revisões seguintes, procurei relevar algumas falhas “menos graves”, não sem uma dorzinha no coração.

Passado esse mês inicial, a expectativa é ver como o trabalho vai se desenvolver e o que será do meu futuro profissional.

Aguardemos!

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Eu, tradutor em 2014!

Na sexta-feira passada, dia 24 de setembro, a tradutora Adriana de Araújo* deu uma palestra para os alunos da Universidade Católica de Santos com o tema Eu, tradutor em 2014, no Encontro de Letras e de Tradução e Interpretação. O evento era voltado a universitários, mas muita coisa pode ser aplicada por quem está querendo ingressar na carreira e não está nos bancos da faculdade. Ela gentilmente me convidou para assistir à conversa e um pouco do que foi dito coloco aqui para vocês.

***

Adriana começa falando da maior preocupação para quem está no curso ou para aqueles que estão interessados em ingressar na área: como e por onde começar. No caso dos universitários, Adriana ressalta a importância do estágio e é enfática:

nada supera a prática

A tradutora também diz que outra boa maneira de começar é trabalhar para um tradutor experiente, dica que pode ser aproveitada por quem não faz curso universitário de Tradução e, conseqüentemente, não pode fazer estágios. Nessa fase, inclusive, o aspirante a tradutor costuma fazer muitos testes para projetos de tradução, mas nem sempre é aprovado. Porém,

não ser aprovado em um teste não significa que sua carreira acabou

O que acontece, segundo Adriana, é que nem sempre o perfil do candidato se encaixa com o projeto em questão. Portanto, perseverar e se aperfeiçoar é fundamental na busca pelas primeiras oportunidades. Por outro lado, é preciso sempre ter em mente as próprias limitações. Adriana lembra bem que ter morado em outro país e ter tido convívio com a língua estrangeira não faz de ninguém um bom tradutor e erra quem pensa que traduzir um texto para o inglês é mais fácil do que para o português:

Conhecer outro idioma não é o suficiente. O tradutor precisa conhecer tanto ou mais sua língua materna para ser um profissional de sucesso. O primeiro passo para o fracasso é o excesso de auto-confiança. Enquanto você sentir aquele friozinho na barriga ao clicar em ‘enviar’, está no caminho certo

Adriana também esclarece alguns pontos sobre o mercado de trabalho para o tradutor autônomo. Explica que as agências de tradução brasileiras costumam pagar menos que as estrangeiras, porém têm um fluxo maior de trabalho. Independentemente de qual delas seja escolhida, ela lembra que o tradutor deve estar atento ao comprometimento com o cliente e à qualidade do seu trabalho. E alerta:

Entrar em uma agência no Brasil é mais fácil (…), mas sair porque não cumpriu prazo ou porque não entregou um trabalho de qualidade é um processo instantâneo para agências de qualquer lugar

Adriana diz que, passado algum tempo, o caminho natural é que o tradutor passe a ser descoberto por clientes, principalmente por meio de redes como ProZ e TranslatorsCafé. No caso das redes, ela chama atenção para o fato de ser essencial estar com a língua estrangeira em dia, pois muitas vezes esses clientes ligam diretamente para o tradutor para discutir um trabalho ou projeto. E como cobrar? A dica é consultar a tabela do Sintra, embora, de acordo com Adriana, a tabela apresente “valores do mundo ideal”, na maioria das vezes difíceis de serem praticados.

E, para finalizar, a tradutora destacou as ferramentas mais importantes para o dia-a-dia da profissão: PC com bom processador e boa placa de vídeo, conexão com a internet, CAT tools, dicionários, comunicadores como MSN e Skype, conversores de arquivos, entre outros.

Foi uma excelente oportunidade para os alunos terem contato mais próximo com a realidade da profissão. Sempre que puder, assista a palestras, participe de encontros e eventos ou simplesmente converse com tradutores mais experientes. É fundamental para quem quer entrar no mercado sem levar sustos ou ter supresas desagradáveis. Para completar o que foi passado pela Adriana, vale a pena ler  The disadvantages of being a translator. O título pode não ser muito encorajador, mas o texto é ótimo para quem quer estar realmente preparado!

ATUALIZAÇÃO: O título da palestra tem sim a ver com a Copa de 2014. Além do fato de, em 2014, os alunos estarem formados ou se formando, a intenção da Adriana era mostrar para eles que, começando a se preparar desde já, na época da Copa poderão ter boas oportunidades. Obrigada, Heitor 🙂

*Adriana de Araújo é tradutora técnica com licenciatura em Letras Português/Inglês e respectivas Literaturas e pós-graduada em Língua Inglesa com ênfase em TESOL. Com dez anos de experiência, traduz para áreas como biologia, química, TI, petróleo e gás, entre outras.

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