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Mãe e freelancer: o que aprendi até agora e algumas dicas

Essa é a segunda parte (leia a primeira aqui) do meu artigo respondendo a dúvidas de uma leitora que quer iniciar na tradução para, entre outras coisas, poder passar mais tempo com o filho pequeno. Portanto, hoje o artigo será dedicado ao que se pode esperar da rotina de mãe e freelancer. Clicando nos links ao longo do texto, você poderá ler outros artigos sobre o assunto.

2013 foi o primeiro ano em que me dividi entre maternidade e trabalho. Aprendi muita coisa e a palavra que definiu esse período foi “adaptação”, sem sombra de dúvidas. Para que essa adaptação seja mais tranquila, compartilho abaixo um pouco da minha rotina e algumas dicas de como tornar o dia-a-dia mais fácil.

Prepare-se para diminuir o ritmo

Antes de ter meu filho, eu chegava a trabalhar até 12 ou 13 horas num dia, dependendo do tamanho ou da quantidade de projetos. Como estava começando na vida de autônoma, me acostumei com esse ritmo pois era um momento de muita prospecção de clientes, de tentar coisas novas, de testar a produção diária.

Quando engravidei, o ritmo já não estava tão insano, mas ainda assim trabalhava o dia todo, entre seis e oito horas.  Já na própria gravidez comecei a desacelerar, especialmente porque o corpo pediu. Quando tive meu filho, fiquei quatro meses longe dos teclados.

A volta ao trabalho foi bem gradual. Precisei pensar muito bem em quantas horas poderia trabalhar por dia, e não seriam muitas. Sem babá ou empregada, quem cuidaria do pequeno seriam as vovós durante as tardes, então precisei me organizar de acordo com a agenda delas.

Sair de 13 horas de trabalho diárias para no máximo quatro é uma diferença brutal. No começo a gente sente como se ainda estivesse fora da vida profissional, como se fosse apenas um ensaio para a grande volta. Mas depois acostuma. E acabamos fazendo escolhas mais inteligentes por conta disso: escolhemos os clientes a dedo, não pegamos mais trabalho do que daremos conta, administramos melhor o tempo de trabalho.

Dica 1: se você está grávida, já vá pensando em quais clientes deseja manter e quais deseja dispensar quando voltar da licença. Cultive os primeiros e vá largando os segundos aos poucos.
Dica 2: se você está deixando a vida de CLT para a de autônoma, o começo vai ser devagar mesmo. No início, seu tempo de trabalho será dedicado para prospectar clientes, estudar, participar de eventos. Leve isso a sério, porque isso é trabalho também, e se você fizer direito, renderá ótimos frutos.

Saiba aproveitar o tempo

Procrastinação todo tradutor autônomo conhece. É difícil manter a concentração e a produtividade sempre, todos os dias. O problema é que quanto mais tempo a gente tem, mais procrastina, porque sabe que “pode” deixar para depois.

Mas quando a gente é mãe e nossos filhos ainda não vão para a escola, ou contamos com ajuda limitada, sabemos que se não fizermos o trabalho naquela hora, dificilmente teremos outro momento para continuar ou finalizar a tarefa. É uma espécie de “agora ou nunca”. Claro que, ainda assim, especialmente se o prazo for folgado, haverá aquelas dias de produção baixa, por causa de uma série de fatores: cansaço, doença, imprevistos. Isso só não pode se tornar regra.

Portanto, é preciso saber se organizar e alocar o tempo para cada serviço, tentando não deixar as coisas da casa invadirem o horário de trabalho e vice-versa.

Dica: não use todo e qualquer horário para colocar o trabalho em dia. O melhor é trabalhar na hora que precisa trabalhar, descansar na hora que precisa descansar. Assim você não gasta energia fora de hora e pode passar mais tempo com seu filho ou cuidando dos assuntos domésticos.

Não estranhe se suas prioridades mudarem

(…) lembre-se de que você é uma só e que, a partir do momento em que se torna mãe, essa é a sua profissão principal. (leia aqui o artigo completo da Rafa Lombardino)

A Rafa não poderia estar mais certa com essa frase! Quando a gente é mãe, o foco simplesmente muda. Se antes, toda a minha concentração e maior parte dos meus esforços iam para o trabalho, hoje é totalmente diferente.

Por mais que tenha sido difícil diminuir o ritmo de trabalho, hoje não me vejo trabalhando mais do que cuidando do meu filho e da minha casa. Eu confesso que era bastante negligente com os assuntos domésticos antes de engravidar, e achava que toda a minha energia tinha que ir para o trabalho.

Atualmente, não me importo de trabalhar menos (e, consequentemente, ganhar menos também). Eu fico feliz de ter encontrado o equilíbrio entre casa e trabalho, e acho que jamais voltaria a negligenciar meu lar por conta dos compromissos profissionais. Tenho plena noção de que, para muitas pessoas, essa negligência não é voluntária, mas sim uma imposição das circunstâncias. Por outro lado, escolher a vida de autônomo pressupõe justamente ter a liberdade de escolher também o que vamos priorizar.

Se você está passando da vida de CLT para a de autônomo a fim de passar mais tempo com seu filho, tenha essas coisas em mente. Enquanto seu(s) filho(s) forem pequenos, muito provavelmente você não ganhará tanto quanto antes, porque não trabalhará tanto quanto antes. E isso não é problema algum. É que, no começo, é difícil mesmo deixar de se enxergar somente como profissional. Mas, aos poucos, a equação vai mudando, e a proporção entre vida doméstica e trabalho também.

Dica: nem todo cliente é carrasco. Há clientes que compreendem sua situação se você jogar aberto com eles. Eu tenho deixado claro que não posso aceitar trabalhos de urgência ou prazos muito apertados, e não tem faltado trabalho. Se você for competente, o cliente vai passar serviço mesmo assim, porque ele sabe que receberá um trabalho bem feito. Portanto, nunca aceite um trabalho se você não vai dar conta. Perder um prazo ou entregar um trabalho de baixa qualidade é garantia de perder o cliente também.

Estabeleça uma rotina (sabendo que ela pode mudar)

Já tivemos várias rotinas desde que meu filho nasceu. As fases da criança mudam, nossa rotina também. Algumas são mais tranquilas, outras mais complicadas, mas a rotina é sempre bem-vinda.

É preciso pensar em diversos fatores quando queremos definir uma rotina que inclua os serviços profissionais e domésticos, sem embaralhar tudo. Por exemplo:

Em que horários você poderá ficar sozinha para trabalhar?
Dá para conciliar esses horários com seus horários mais produtivos?
Qual a melhor hora para cozinhar para o seu filho?
Dá para congelar a comida e não precisar fazer almoço todo dia?
E a limpeza? Tem faxineira, empregada ou é tudo por sua conta?
Em que horário você poderá limpar a casa sem atrapalhar a rotina profissional?
E os fins de semana?
Você trabalhará aos sábados e domingos?
Vai separar um dia da semana ou dois para descansar?

Enfim, são algumas perguntas básicas a se fazer antes de estabelecer seus horários. Como exemplo, posso falar um pouco do que funciona para mim.

De manhã me dedico somente à casa (limpeza, comida etc.) e ao meu filho. Mesmo quando tenho um tempinho nesse período, uso-o para mim. Pode ser para tomar um banho mais longo, ou para escrever um artigo para o blog. Enfim, as manhãs são nossas.

À tarde, meu filho fica com minha mãe ou minha sogra, dependendo do dia da semana. É hora de produzir o máximo que der, enviar e-mails, cobrar clientes.

À noite, é hora de descansar, cozinhar se precisar, sair um pouquinho nos dias quentes, ler, conversar com o marido, dormir,  enfim… Um apanhado de coisas que não deu para fazer durante o dia.

Fins de semana são para descansar (a rotina da semana já é muito pesada, não é?), passear e me dedicar à família. Raramente trabalho, mas se precisar, faço alguma coisa no sábado. No domingo, nunca.

Dica 1: a dinâmica da rotina pode mudar (inclusive de um dia para o outro). Para ajudar a manter uma certa consistência em meio às mudanças, estabeleça uma rotina ideal, que vai ajudar a manter a rotina real (entenda melhor aqui).
Dica 2: seja flexível. Não é sempre que conseguimos cumprir o que planejamos, do jeito que planejamos. Às vezes temos um dia muito produtivo e no outro estamos cansados demais. Veja as pequenas mudanças na rotina como algo natural e não se cobre pelo que acabou deixando de fazer. Saber re-planejar é essencial.
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O que tradutores e chaveiros têm em comum?

Outro dia estava folheando uma revista Seleções antiga e me deparei com o texto abaixo. Acho que poucas vezes me identifiquei tanto com um artigo de revista! Isso significa duas coisas: tradutores e chaveiros têm mais em comum do que imaginamos. E nada do que sofremos profissionalmente é privilégio dos tradutores. Divirtam-se [minha tradução em vermelho]!

13 coisas que seu chaveiro não vai lhe dizer

1. Não peça fiado, ninguém faz caridade! As pessoas cansam de levar calote de gente que pede para pagar depois… Não interessa se está tarde e você não foi ao banco.

Traduzindo: tradutor não tem culpa se a agência não recebeu do cliente final.

2. Quando alguém liga para um chaveiro às 2h da manhã porque ficou trancado do lado de fora do carro em frente a um bar, pode ter certeza que o serviço será cobrado em triplo. Afinal, você não deveria nem estar dirigindo alcoolizado!

Traduzindo: taxa de urgência, sim ou certeza?

3. Nada supera uma tranca bem instalada. Mas mesmo a melhor tranca do mundo não impede roubos se você a esquecer aberta.

Traduzindo: tudo pode acontecer com um PDF. 

4. Se houver janela na porta ou junto a ela, ferrolhos não ajudam muito. Basta quebrar o vidro, enfiar a mão e girá-los. Tranque a porta ao deitar e tire a chave da fechadura!

Traduzindo: se o texto foi jogado no Google Translator, revisões não ajudam muito.

5. Divórcio e fechaduras são um desafio. A ex-mulher liga e diz que ficou trancada do lado de fora; vai o chaveiro, abre a porta e traca a fechadura. Depois o marido liga com o mesmo pedido. O chaveiro finge que não sabe de nada e faz o mesmo serviço de novo.

Traduzindo: 100% match!

6. Não é só a concessionária que pode tirar cópias das chaves do carro. Chaveiros especializados cobram bem mais barato. Mas depende do modelo.

Traduzindo: os preços “vareiam”.

7. A faxineira ou diarista precisa de chave? Tenha duas fechaduras: uma simples e outra com segredo mais complexo. Dê apenas a chave da primeira a quem não conhece bem. Use a segunda nos outros dias da semana.

Traduzindo: dividir trabalho, só se confiar muito no seu colega.

8. Tente abrir a porta. Já visitei casas que já estavam abertas. (Mesmo assim, será cobrado a visita.)

Traduzindo: “dar só uma revisadinha” tem seu preço.

9. Se a chave não girar na fechadura, experimente WD-40 ou spray de silicone. Às vezes os pinos ficam agarrados e isso pode resolver.

Traduzindo: às vezes o arquivo traduzido não abre, mas nem precisa importunar o tradutor. Basta fuçar umas configurações aqui e ali.

10. Se ficou trancado do lado de fora, ligue para um chaveiro só. Nunca ligue para vários, pois poderá haver concorrentes no mesmo local. E poderá acabar sem nenhum chaveiro para o serviço.

Traduzindo: ou terá que pagar a todos eles. 

11. Não peça desconto em serviços baratos! Nos serviços mais complexos pode ser.

Traduzindo (ou melhor, adaptando): não peça desconto em serviços baratos, muito menos nos serviços mais complexos.

12. Não ache que o serviço é fácil e qualquer curioso pode resolver o problema. Eles detestam quando tentam resolver sozinhos e ainda dão palpite.

Traduzindo: não ache que o serviço é fácil e qualquer primo-da-tia-da-amiga-da-irmã-que-fala-inglês-porque-foi-pra-Disney pode fazer.

13. Teste bem a cópia da sua chave antes de colocar a culpa neles. Muitas vezes, o problema está no segredo. Usar a força bruta também não adianta.

Traduzindo: às vezes, é o original que é ruim mesmo. Xingar o tradutor não adianta.

Tradutor: você ganha ou produz seu dinheiro?

Esses dias estive pensando sobre uma diferença essencial entre a cultura americana e a brasileira, evidenciada por duas expressões simples do inglês e do português:

make money X ganhar dinheiro

Há uma carga de autonomia completamente diferente nos verbos make e ganhar, e veremos como isso tem tudo a ver com o modo de encarar nossa profissão.

A primeira definição de make no Macmillan Dictionary é create, produce something, o que pressupõe que o sujeito é responsável pela ação. To make money significa gerar o próprio dinheiro por meio da minha oferta de serviço, do meu esforço. É o bom e velho “colocar a mão na massa”, “fazer acontecer”.

Então, qual a diferença entre “fazer dinheiro” e “ganhar dinheiro”? Ganhar significa “adquirir”, o que leva a entender que eu consigo ou conquisto algo que vem de fora, de uma outra fonte. Eu produzo esforço e trabalho, mas o dinheiro eu recebo (de outras mãos).

Às vezes acho que essa visão internalizada do dinheiro como um “presente” que se ganha é o que leva muitas pessoas a não sobreviverem na nossa profissão. A tradução é um ofício de autonomia, especialmente hoje, em que cada vez mais dispensamos as empresas e trabalhamos por nossa conta e risco. Faz muito mais sentido “fazer” nosso dinheiro, mas para isso precisamos parar de estender as mãos e mudar nosso esquema mental.

Como se faz isso? Primeiro, entendendo que ser tradutor exige ser uma mistura de administrador, contador, secretário, gerente comercial, técnico de informática e tantas outras coisas. Ou seja, que traduzir é apenas uma das facetas do nosso trabalho. Segundo, cultivando essas habilidades e as encarando como parte de um todo, e não como um fardo. Isso significa se livrar das amarras da mentalidade “trabalhador assalariado”, aquele que não decide nem apita nada, que não sabe quem são os clientes ou quanto a empresa fatura.

Ou seja: não fazemos parte de uma engrenagem. Nós somos a engrenagem. Antes de traduzir, fazemos captação de clientes, cultivamos contatos profissionais, buscamos os recursos necessários. Depois de traduzir, contabilizamos os valores, administramos as contas do mês, organizamos o escritório. Dessa forma, prefiro pensar que meu dinheiro ninguém me dá de presente. Eu simplesmente o mereço.

Autônomo de primeira viagem: o que fazer?

Muitas pessoas no início da vida de freelancer/autônomo ficam perdidas com relação a impostos, abertura de empresa e afins. Por isso hoje resolvi fazer um resumo sobre o assunto para os leitores do AP.

Lembrando que não sou especialista em contabilidade, então o exposto abaixo é basicamente tudo o que posso falar sobre isso para vocês. Espero que seja útil!

Sou obrigado a abrir uma empresa?

Não. Não ser pessoa jurídica, ou seja, não ter empresa aberta, não significa que o tradutor está trabalhando na ilegalidade, desde que ele declare seus ganhos no Imposto de Renda e pague seus impostos, bem como outras taxas que incidirem sobre o seu trabalho, como o ISS (Imposto Sobre Serviço).

Então, quais são minhas opções?

Existe o RPA, que é o recibo de pagamento a autônomo, a nota da Prefeitura, ou a opção de não passar recibo/nota e recolher os impostos pelo Carnê-leão.

A maioria das agências não exige nota, nem RPA. Já os clientes diretos (empresas), que antigamente se satisfaziam com o RPA, hoje só andam aceitando nota fiscal.

Se você ainda não tem condições de ser pessoa jurídica e emitir nota fiscal, pode trabalhar para agências nacionais e até mesmo internacionais e pagar seus impostos por meio do Carnê-leão, além de precisar verificar na Prefeitura de sua cidade sobre o pagamento do ISS.

Carnê-leão

Recolhemos pelo Carnê-leão quando recebemos de pessoa física, porque nesse caso a pessoa paga o valor integral do serviço direto para nós, sem reter o imposto. Ou, então, quando recebemos do exterior, pelo mesmo motivo.

Se for uma empresa que está nos pagando, normalmente ela nos repassa o valor já com os impostos descontados. Nesse caso, é sempre bom que fiquemos com um recibo comprovando o valor que nos foi repassado com o desconto. Caso não tenhamos, no final do ano é preciso pedir um informe para as empresas com as quais trabalhamos, a fim de comprovar que recebemos os valores já descontados (senão pagaremos o imposto duas vezes).

Como fica a aposentadoria?

Quem tem empresa aberta faz a contribuição compulsória para o INSS, mas ela não é obrigatória para pessoa física. No entanto, a pessoa física pode pagar o carnê à parte. Outras pessoas preferem investir somente na previdência privada, e há quem faça os dois.

O tradutor pode abrir empresa pelo SIMPLES?

Infelizmente, não. Veja o que diz o Sebrae, em Informações Fiscais e Tributárias:

O segmento de tradução de textos, assim entendido como os serviços de tradução, de interpretação e similares, não poderá optar pelo SIMPLES Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (instituído pela Lei Complementar nº 123/2006), por expressa vedação legal emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através do artigo 17, inciso XI, uma vez que configuram a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não. A vedação da opção também foi apresentada na Solução de Consulta COSIT nº 10, de 20/03/2008.

Quem pode me orientar?

Marcando uma consulta na Receita Federal, você pode  obter boas informaçõesa sobre recebimentos e recolhimentos referentes a trabalhos feitos para o Brasil e o exterior, por exemplo. Informe-se na Prefeitura sobre nota e sobre o ISS. Procure também um contador de muita confiança e consulte pelo menos uns três para ver qual entende melhor do assunto. Assim, você pode se informar com calma e segurança sobre abrir a sua própria empresa.

Onde posso ler mais sobre o assunto?

Receita Federal:
Pagamento do Imposto de Renda Pessoa Física

Finanças práticas:
Como abrir uma empresa?
Programe-se para a temporada do IR 2012 e evite correria

Você S.A.
Traduzindo a previdência
O plano ideal para você

Efetividade.net:
Como declarar o imposto de renda de autônomos

Mais sobre especialização

Vocês devem ter lido o artigo que escrevi sobre como o iniciante pode buscar uma área de especialização.

Como um excelente complemento, li o artigo 6 steps to develop a translation specialization and make it work, do site Intercultural Zone.

Abaixo, destaco e comento algumas das partes que considerei mais interessantes:

Developing a new area of specialization is a serious commitment.

Sim, especialização é coisa séria. Uma vez que você escolheu uma área e se esforçou para conseguir trabalhar nela, por que você mudaria de ideia e começaria tudo de novo em uma outra área? Valorize seu tempo e seus esforços analisando os prós e contras seriamente antes de começar a jornada.

Is the demand for this area of specialization durable, or is it some fly-by-night trendy craze businesses will ignore in a year or two?

Cuidado com os modismos! Nunca escolha uma área de especialização somente porque ela é a bola da vez, ou porque todos falam que dá muito dinheiro. O calor do momento pode não ser duradouro.

Figure out what you need to invest in, what that is going to cost, how you are going to fund these investments, over what period of time.

Lembram-se de que falei sobre ir a eventos e fazer cursos da área de interesse? Tudo isso terá um custo. Então, encare esse custo como investimento. Investir pressupõe que teremos um retorno, certo? Não gaste seus recursos se não for para colher os frutos mais tarde.

Sniffing around is fun and important. Attending trade shows, demos, playing mystery customer and so on are great ways to discover the culture and the environment of the field you seek to become involved with. Who are the players? What are they like?

Uma área de especialização é formada, primeiramente, por pessoas. Ou seja, além do conhecimento técnico sobre o assunto, precisamos nos conectar com as pessoas envolvidas com ele. Quem são? Qual o perfil delas? Identifico-me com elas? Sinto-me bem entre elas? Lidamos com pessoas o tempo todo, então não subestime todas essas questões antes de se atirar de cabeça na especialização.

Find specialized colleagues for insider advice, mentoring, resources that didn’t hit your radar yet.

Se pararmos para pensar, temos modelos para tudo na vida. Sempre nos espelhamos em quem mais admiramos e isso é ótimo, pois aproveitamos as coisas boas que as pessoas têm nelas em nós mesmos. Podemos agir de forma semelhante na vida profissional, escolhendo bem nossos modelos e aprendendo com a experiência deles. E não somente com relação à àrea de especialização em si, mas também à ética e postura profissional.

Leiam o texto completo do Intercultural Zone, vale a pena!
6 steps to develop a translation specialization and make it work

Especialização

Como ser um tradutor especializado? Quando se especializar? A especialização é obrigatória?

Essas são perguntas que muitos tradutores iniciantes se fazem. As respostas, como sempre, não vêm prontas. Como já sabemos, a tradução, sendo um mercado tão variado e extenso, permite trilhar diversos caminhos. Não é diferente com a especialização. Vejamos, então, quais são os diferentes rumos que levam à especialização e o que ela significa para o tradutor.

Ter formação em outra área

Quando uma pessoa escolhe ser tradutora depois de ter se formado em outra área, especializar-se é um caminho natural. Um engenheiro que vira tradutor já tem o conhecimento técnico necessário para traduzir textos da área, pois vivenciou experiências nela e se acostumou com os termos e jargões do setor. Ao buscar novos clientes, ele vai se concentrar naqueles que estejam envolvidos com a indústria. Seu trabalho será mais fácil quanto à pesquisa, porque com os conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação, não será necessário procurar todos os termos técnicos e específicos do texto. No geral, sua remuneração será melhor, já que nem todos podem oferecer a qualidade técnica que ele oferece. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que a tradução em si também exige conhecimentos específicos e que não basta conhecer engenharia e inglês para traduzir com qualidade. É preciso aperfeiçoar continuamente as habilidades com a língua e o texto.

Buscar áreas de afinidade

Para quem escolheu a tradução como primeira formação, o caminho para a especialização é um pouco mais longo. Com os conhecimentos linguísticos e tradutórios em mãos, o tradutor iniciante depara-se com um mundo de áreas e assuntos para serem traduzidos. O que acontece é que o tradutor iniciante começa traduzindo de tudo. Não é o ideal, mas é uma realidade que não se pode negar. Afinal, como ele vai saber quais são os melhores tipos de texto para o seu perfil? O principiante é, antes de tudo, um generalista. Depois de ter tido contato com inúmeros textos, ele começa a se identificar com alguns tipos. A partir dessa descoberta é que ele vai buscar clientes que estejam inseridos nos setores de que mais gosta. Vale também fazer cursos sobre o(s) assunto(s) de maior interesse e participar de eventos da(s) respectiva(s) área(s). Não é um passo fácil, é preciso ter paciência. Mas mantendo o foco, as coisas acontecem.

Acasos e coincidências

Outro modo de se especializar é o puro acaso. Às vezes começamos a traduzir para um cliente que manda sempre um certo tipo de texto. Ele gosta do nosso trabalho e continua mandando textos sobre aquele assunto. Vamos acumulando conhecimentos sobre a área, formando glossários, e fica cada vez mais fácil traduzi-la. Está dado o primeiro passo para a especialização. Daí podemos passar a procurar outros clientes com as mesmas necessidades. É claro que pode acontecer de fazermos um bom trabalho em determinada área, ma simplesmente não gostarmos dela. Essa é a hora de mudar o foco e tentar seguir outro rumo.

Especializar-se no tipo de texto ou no tipo de tradução?

Precisamos lembrar também que além de diferentes tipos de texto, há diferentes tipos de tradução. O que você gostaria de fazer: legendar, traduzir livros de ficção, interpretar em eventos, fazer localização de software? São escolhas importantes, pois nem sempre um bom tradutor é um  bom intérprete, por exemplo. São tipos de tradução que exigem habilidades e técnicas distintas. Mas também não são áreas excludentes. Muitos tradutores de legenda também traduzem textos técnicos, muitos intérpretes fazem tradução escrita, e por aí vai. Escolher entre tipo de texto e tipo de tradução é uma escolha conjunta, que vamos fazendo conforme adquirimos mais experiência.

A especialização é obrigatória?

Aqui vai uma opinião sincera: nada é obrigatório. Existem, sim, caminhos que são mais naturais, ou mais fáceis, ou mais óbvios. O importante é traduzir com qualidade. Dizer “eu gosto de traduzir de tudo” é uma cilada, porque até esse “tudo” tem um limite. Dificilmente uma pessoa gosta tanto de física nuclear quanto de religiões orientais. Se você não quer se especializar em um único assunto, não é tanto um problema. Apenas delimite o seu “tudo”. Escolha algumas áreas de que gosta mais e concentre-se nelas.

Vantagens e desvantages da especialização

Quando o tradutor se “ultra-especializa” e fica conhecido no setor por isso, dificilmente os clientes irão procurá-lo para fazer outros tipos de tradução. De certo modo, fechar muito as opções pode ser limitador. É uma desvantagem querer se aventurar em outras áreas e não ter a chance. Por outro lado, a vantagem do tradutor bem especializado é não ter que lidar com uma ampla concorrência e poder elevar o patamar de seus preços consideravelmente. Ele sendo bom, os clientes pagarão. Mas vale lembrar que se especializar visando somente o lado financeiro pode ser um tiro no pé. Ninguém é feliz fazendo o que não gosta, só para ganhar bem. Dinheiro é consequência, não causa.

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