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Novas oportunidades, novos dilemas

Olá!

Na última coluna, falei da expectativa de uma mudança que me daria a oportunidade de me aproximar ainda mais do mundo da tradução, mesmo que não como tradutor em tempo integral. Pois bem: ela se concretizou no dia 30 de julho! Desde então estou no serviço de tradução da biblioteca da empresa em que trabalho.

O trabalho lá não consiste em traduzir propriamente, uma vez que isto é feito por agências externas. A nossa tarefa é captar as solicitações das diversas áreas da empresa, encaminhar para uma dessas agências, receber a tradução pronta, conferir e enviar para o cliente. Digamos que seja basicamente o trabalho de uma agência, com a diferença de que entre nós e o tradutor o pedido passa por outra agência.

E não é pouca coisa, uma vez que diariamente recebemos inúmeros pedidos e traduções prontas para devolver à unidade solicitante. A maioria, versões do português para o inglês, mas também de vários outros idiomas (do árabe ao japonês) e em ambas as direções – às vezes, até para traduzir um mesmo texto para duas línguas diferentes. Isso tudo sem deixar de seguir certos padrões, cumprir os prazos e cuidar da qualidade do serviço prestado. É aí que começa a ficar mais interessante.

Uma das razões por que fui indicado para a vaga foi a minha experiência com tradução. Como cheguei há pouco tempo, as minhas atribuições específicas ainda não foram definidas, mas já tive a oportunidade de revisar algumas traduções. No entanto, isso já me deixou num dilema. Na primeira que me foi pedida, um texto de mais de 20 páginas, que me custou mais de um dia, tentei deixá-lo “limpo”, apontando erros de gramática, digitação, redação, além do famoso “tradutorês”. Apenas para ser instruído depois a corrigir apenas os erros mais crassos, ou só o que fosse “erro mesmo” (para mim, todos eram!), já que é preciso entregar o serviço no prazo e as correções são descontadas no pagamento à agência. Nas revisões seguintes, procurei relevar algumas falhas “menos graves”, não sem uma dorzinha no coração.

Passado esse mês inicial, a expectativa é ver como o trabalho vai se desenvolver e o que será do meu futuro profissional.

Aguardemos!

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Crie seu próprio guia de estilo

O que é um guia de estilo?

Uma boa tradução é aquela que não somente passa com o máximo de fidelidade possível a mensagem do original, mas também preza pela qualidade do texto na língua de chegada, mantendo um padrão para termos, ortografia e estilo. O guia de estilo é o manual que ajuda o tradutor a aplicar essa padronização, contendo normas para deixar o texto claro, coerente e coeso, e servindo como um controle de qualidade.

O guia de estilo é um só?

Pode haver tantos guias de estilo quanto clientes ou projetos. Ou seja, há direntes guias de estilo para diferentes casos. Dependendo do tipo de cliente, ele já tem esse manual pronto, enviando-o ao tradutor ao requisitar um trabalho.

Não são todos os clientes, porém, que dispõem de um guia. Alguns têm somente uma lista de palavras preferenciais, ou uma tradução consagrada para certos termos, por exemplo. Cabe, então, ao tradutor, cuidar para que os termos sejam bem escolhidos e usados uniformemente ao longo do texto.

Por que criar meu próprio guia?

Há muitas coisas no guia de estilo que podem ser aplicadas em todos os textos. São questões de grafia, de estilo da língua portuguesa, de uso de tempos verbais etc.. Ou seja, se seus clientes não possuem um guia de estilo, você pode entregar um trabalho de qualidade e muito bem padronizado no que diz respeito à estilística do texto.

Há alterações obrigatórias (diferenças entre a língua de chegada e de partida quanto ao uso de números, símbolos etc.) e outras que são preferências (nossas, do cliente, do setor). O importante é que elas devem ser aplicadas por igual ao longo do texto.

Como criar meu próprio guia?

  • Crie glossários. Pode ser por cliente, por assunto, por área. Pode ser em Excel ou nas próprias CAT Tools. O importante é prezar pela terminologia correta e uniformizada ao longo do texto.
  • Anote as preferências dos clientes. O cliente X não quer que a palavra storage seja traduzida? O cliente Y quer que e-mail vire correio eletrônico? Copyright fica em inglês ou traduzo por direitos autorais?
  • Anote as suas preferências, caso não faça diferença para o cliente. Por exemplo, usar qual das três formas: R$ 50.000,00 / R$ 50 mil reais / 50 mil reais?
  • Avalie as diferenças essenciais de estilo entre a língua de partida e a língua de chegada. Por exemplo:

– A pontuação das duas línguas segue o mesmo padrão?
– O uso de vírgulas e pontos em números decimais é igual?
– As letras maiúsculas e minúsculas em títulos seguem o mesmo estilo?

Para ilustrar, veja a tabela abaixo com algumas diferenças entre o inglês e o português:

  • Não se esqueça também da nova ortografia, e que o texto todo deve estar uniformizado com as alterações recentes. Alguns recursos para consulta:

Um português
Ortografa
Conversor ortográfico
Especial Reforma Ortográfica do UOL

– Outros manuais, de setores específicos (alguns sem as alterações da nova ortografia):

Guia de estilo de tradução do GNOME
Manual de Redação, Tradução e Estilo da FIFA
Guias de Estilo da Microsoft
Manual de Redação da Presidência da República
Manual de Estilo da Zahar Editora
Manual de Redação da PUC-RS

Você pode juntar todas as informações em um único arquivo de Word para sua própria consulta, usar as CAT tools como ferramenta de padronização (entre outras coisas, é para isso que elas servem!), ter tudo na cabeça (algumas pessoas conseguem!), ou o que você considerar que seja mais apropriado para você. O importante é que o trabalho final esteja padronizado e seja de qualidade.

Colhendo os frutos de 2011

Instant change is a myth and a dangerous one at that. We are brought up on a culture that demands immediate gratification and sudden wealth. The flip-side of this belief is often a deep-seated, nagging frustration that our effort does not yield immediate results.

The Myth of Instant Change

Quando a gente se propõe a dar novos rumos para a carreira, a palavra-chave é paciência. Mudanças podem ser feitas repentinamente, mas seus frutos se colhem apenas quando o ciclo do cultivo está completo. Não existe colheita antes do tempo certo.

Quem acompanha o Ao Principiante, talvez lembre desse meu artigo. Foi quando escrevi sobre as mudanças na minha vida profissional. Elas começaram a tomar forma não em fevereiro de 2011, quando o artigo foi publicado, mas sim em dezembro de 2010.

Ou seja, um ano se passou. Na época, eu mal conseguia imaginar onde estaria no dezembro seguinte. Mas ele chegou, e rápido. Em parte porque não esperei colher os frutos das minhas decisões no dia seguinte. Tivesse eu feito isso, talvez hoje achasse que o ano passou devagar.

É aqui que mora o segredo, e onde entra a frase que abre este artigo: resultados instantâneos raramente acontecem. Tudo que colhemos é fruto de esforço, suor, trabalho, decisões. E essas coisas levam tempo. Começam como sementes, que germinam e crescem para somente depois amadurecerem e caírem em nossas mãos. No meio tempo, exigem que reguemos as folhas, afofemos a terra, adubemos o solo.

Se você está começando sua vida como tradutor, ou se está num momento da carreira que exige mudanças, não esqueça que o ciclo do seu cultivo tem hora certa para terminar. Colha seus frutos quando estiverem maduros, é muito mais saboroso.

E eis aqui um dos frutos que andei colhendo este ano e gostaria de compartilhar com vocês. É de uma importância ímpar para mim, por ser meu primeiro trabalho na área editorial e, acima de tudo, o primeiro como freelancer. É a revisão (em conjunto com Alessandra Barros) da tradução de Martha G. da Cruz e Isabel Vidigal  do livro Agulhas e Linhas, da Publifolha.

Oportunidade de estágio

O tradutor Carlos Amaral Jr. está procurando estagiário(a) para revisão e auxílio em tradução juramentada. O trabalho é interno em um escritório em São Paulo, no bairro do Ipiranga, próximo à estação de Metrô da Linha Verde. Se alguém tiver interesse ou puder indicar alguém, entre em contato no e-mail: amaral.jr@uol.com.br. Boa sorte!

Controle de qualidade para traduções técnicas

Uma das principais características da tradução técnica é a alta repetição de termos e até mesmo de frases ou sentenças inteiras. Há algumas práticas que podemos seguir para facilitar ainda mais a padronização na tradução.

Crie glossários

Na CAT tool:

Não adianta usar uma CAT tool somente pela interface mais agradável. É preciso usar o potencial dela a nosso favor. Se você lida com textos técnicos, é importante sempre alimentar os glossários da sua CAT com os principais termos para a tradução. Mas faça isso com cuidado: se você inseriu um termo e em outro momento achou um mais adequado, substitua o primeiro. Nada de colocar várias traduções para uma palavra só, sendo que apenas uma é a correta. Mais tarde, a memória (a sua, não a da CAT) pode ficar confusa, sem saber qual deles é o certo.

Em planilhas:

Ainda que você esteja usando uma CAT, alguns tipos de tradução merecem um glossário separado, em excel, por exemplo. Alguns textos são mais complicados e a tradução dos termos não  se limita a x = y. Às vezes é preciso fazer comentários ao termo, adicionar sinônimos, colocar exemplos etc. Pelo menos para mim, tudo isso fica bem mais fácil de ser visualizado em uma planilha, de preferência com cores diferentes para cada coluna e comentários em células.

Use lembretes

No computador:

Há vários programas que colocam post-its na tela do nosso computador, sendo um ótimo recurso e uma maneira fácil de lembrarmos das coisas. Alguns deles, como o GumNotes, por exemplo, podem ser programados para exibirem notinhas quando abrimos um site ou um arquivo do computador, como um documento de Word. Use e abuse de diversas soluções úteis que encontrar na internet para ajudar no seu controle de qualidade.

No papel:

A tecnologia está aí para ajudar, mas às vezes o que funciona mesmo é o bom e velho papel e caneta. Ter um caderninho ou bloco ao lado do computador ajuda muito. Às vezes, simplesmente anotar uma palavra já traz à mente o que queremos saber sobre ela. Para as pessoas mais visuais ou cinestésicas, só o fato de dar uma rabiscada no papel, circular um termo ou fazer setinhas ajuda a manter o foco no que é mais importante. Canetas coloridas e lápis diferentões são boas pedidas.

Siga um roteiro de revisão

A revisão é essencial para a qualidade da tradução. Além de ser a oportunidade de arrumar enganos e erros de digitação, ela ajuda a manter a coerência dos termos ao longo do texto. Se você traduziu um termo técnico por A na primeira ocorrência, não pode trocá-lo por B, C e D no restante da tradução, a não ser que sinônimos sejam aceitos no contexto. Para dar conta de corrigir tudo isso, você pode seguir uma listinha com tudo que precisa verificar antes de entregar o trabalho. Algo mais ou menos assim:

Ítens para revisar:

Cotejo da tradução com o original:
- Traduções incorretas
- Problemas de compreensão do original
Terminologia:
- Consistência de termos ao longo do texto
- Exatidão dos termos técnicos
Texto final:
- Gramática e ortografia
- Padrões da nova ortografia
- Estilo e coerência

E vocês, o que fazem para garantir a qualidade da tradução?
Deixem suas dicas nos comentários!

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