Quem trabalha de graça é… tradutor?

É muito comum alguém comentar que, por ser iniciante, aceita ou aceitaria fazer trabalhos de graça para ganhar experiência. Não apenas nas comunidades e redes sociais relacionadas à profissão, mas também entre grupos de estudantes nas universidades, essa é uma afirmação corriqueira.

Acredito que muitos pensem assim porque, apesar de estarem se dedicando ao ofício tradutório, abraçam o velho estereótipo da tradução como apenas um bico. Você traduz por algumas horas e depois vai se ocupar em dar aulas de inglês ou procurar um emprego “de verdade”. Tem também a questão da insegurança: “sou novato; como e quanto cobrar por um trabalho que não sei fazer com total destreza?” Há, ainda, o fato de não se saber separar a vida pessoal da profissional: “mas ele é meu amigo, como posso cobrar de uma pessoa tão próxima?”

Esses são alguns dos piores erros que um tradutor iniciante pode cometer!Se queremos ganhar experiência, devemos começar pela postura profissional. E um profissional sempre cobra pelos serviços prestados. Os estagiários não ganham bolsas de estudo ou salários? Por que um profissional não haveria de ganhar por seu trabalho? Afinal, ele está gastando tempo e dinheiro (pense nos anos de estudo, nos cursos e seminários, nos dicionários e livros comprados, no investimento em novas tecnologias e ferramentas de trabalho).

É incrível como o simples fato de ser um trabalho feito em casa rebaixe tanto o status da profissão. Nenhum iniciante nas áreas de administração, psicologia, engenharia, medicina ou química diz que trabalharia de graça para uma empresa, uma clínica ou uma usina, precisando ir até lá todos os dias e trabalhando oito horas ou mais. O tradutor não vai a lugar algum, mas as oito horas ou mais de trabalho (inclusive em fins de semana) são as mesmas.

Resumindo:

tradução não é um bico, é uma profissão. Como tal, deve ser levada a sério. É um ofício que exige disciplina, tempo, responsabilidade e muito estudo. Não dá para brincar de ser tradutor com todas as exigências que nos são impostas.

– pode demorar um pouco, mas devemos superar a insegurança. Minha sugestão para quem quer treinar suas traduções e ainda não conseguiu estágio ou alguma oportunidade de trabalho é traduzir materiais de instituições ou ONGs que lutem por alguma causa que você acredite. Lembre-se: trabalhar de graça pressupõe trabalhar para alguém que pode lhe pagar, mas simplesmente não quer fazê-lo. Fazer trabalho voluntário é ajudar alguém usando de alguma habilidade sua, no caso, traduzir.

– Se seus amigos são verdadeiros, respeitarão seu trabalho e sua profissão. Mas antes, quem precisa se respeitar como profissional é você.

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3 responses to “Quem trabalha de graça é… tradutor?”

  1. Roseli says :

    Ótimo post, Lorena! O seu blog está ficando um tesouro para iniciantes e até para quem não é. Parabéns.

  2. Dani says :

    Lorena,

    Parabéns amei o que disse, e é isso que sentimos na pele. Amei….

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