Dizer “não” é importante. Não dizer, também.

Um dos principais conselhos que os tradutores experientes dão aos inciantes é saber dizer “não”. Realmente, é essencial diferenciar boas oportunidades de possíveis ciladas. É preciso coragem para negar uma oferta de trabalho que, a princípio, parece boa. Há de se avaliar e colocar na balança as vantagens e desvantagens do serviço e verificar se, apesar de parecer um trabalho interessante, ele poderá minar outras parcerias que compensarão mais financeira ou intelectualmente. Ao mesmo tempo, existem horas em que o “não” pode ser inconveniente e ter consequências ruins para a carreira em curto, médio ou longo prazo. É aquele “não” simplesmente dito na hora errada, por falta de experiência ou visão.

Veja abaixo em que casos um “não” pode impulsionar sua carreira ou fazer você dar dois passos para trás.

DIGA NÃO para:

– Exploração. Quando você recusa uma oferta que demanda muitas horas de trabalho e remunera pouco, ou quando não aceita condições aviltantes, está abrindo caminho para trabalhos melhores. Eles podem demorar para chegar, mas chegarão, e você poderá aceitar porque não estará ocupado com clientes que desmerecem seu esforço.

– Trabalho dobrado. Quando você entende qual a sua parte do trabalho e sabe que, se ultrapassar essa linha, estará abrindo um precedente perigoso, evita trabalhar a mais sem ganhar por isso ou ter que consertar o mau serviço que outros fizeram, coisas que realmente não compensam fazer.

– Más práticas para o setor. Tem muita gente mal intencionada querendo passar por cima das boas práticas do setor. Recusar tipos de serviço ou atividades que, no geral, costumam ser prejudiciais à categoria de tradutores como um todo é muito importante para desencorajar outros a fazerem o mesmo.

– Clientes ruins. Pode ser um mau pagador, ou um cliente inflexível, ou um cliente simpático mas que não aceita seus reajustes. Substituir clientes serve também para fazer o cliente entender que qualidade é importante, assim como uma negociação justa.

– Quebra da ética profissional. Piratear programas, passar por cima de direitos autorais, quebrar acordo de confidencialidade, falar mal de clientes ou colegas, repassar trabalho sem autorização, assinar sem ter feito o trabalho. As notícias correm rápido e se você aceitar quebrar a ética em qualquer situação, pode se queimar com muitos parceiros e clientes. Além, claro, de ter que lidar com o peso na consciência.

– Traição de princípios pessoais. Pense bem antes de trabalhar com um texto ou participar de um projeto cujo teor lhe cause mal-estar só porque o dinheiro é bom. Isso fecha portas porque enquanto você está fazendo algo que fere suas crenças, poderia estar investindo em trabalhos que agregariam muito mais ao seu currículo e à sua trajetória pessoal e profissional.

NÃO DIGA NÃO para:

– Avanço. Novas ferramentas e tecnologias estão a serviço do tradutor, e não contra.

– Ousadia na medida certa. Todo tradutor passa por um momento em que precisa decidir se vai o não virar o jogo. Para conseguir novas oportunidades, é preciso ousar na hora certa e não ter medo de mudanças.

– Flexibilidade. O bom profissional está sempre testando um jeito diferente de fazer a mesma coisa, um modo mais eficaz de produzir e entregar um trabalho de qualidade. Não fique inerte e, sempre que puder, atualize seu modus operandi.

– Diálogo. Seja por medo ou por orgulho, muitos tradutores acham que tirar dúvidas é sinal de fraqueza. Não é. Muitas vezes, fazer uma simples pergunta pode esclarecer o que o cliente espera de você e evitar muito dor de cabeça no futuro.

– As necessidades do cliente. Se dois tradutores são muito competentes, mas apenas um deles é colaborativo, é este último que conquistará o cliente.

– Educação do cliente. Clientes, em especial os diretos, não são obrigados a entender nosso universo. Muitas vezes, o que consideramos ser uma proposta indecente, é apenas falta de conhecimento por parte do cliente. Não hesite em ajudá-lo a compreender como trabalhamos e o que seria melhor para ambas as partes.

– Honestidade com o cliente. Não é vergonha nenhuma dizer que não sabe mexer em uma ferramenta, ou que nunca fez o tipo de trabalho que o cliente está querendo de você. Pelo contrário, é uma excelente oportunidade de se mostrar proativo e de lidar com novas situações que aumentarão seu conhecimento e experiência. Disto podem surgir até novas áreas de atuação.

– Aprendizado com o cliente. Muitas agências e até mesmo clientes diretos se mostram bastante dispostos em apontar caminhos e soluções que facilitam nosso trabalho. Não ser arrogante e se mostrar aberto a sugestões e esclarecimentos é carta na manga de quem quer formar uma parceria duradoura com o cliente.

– Aprendizado com os colegas. Tradutores com muitos anos de trabalho e experiência estão por aí, nas redes sociais e nos eventos, aconselhando e repassando conhecimento aos mais novos. É claro que é preciso separar o joio do trigo, pois nem todo conselho é útil, correto ou se aplica a você, mas deixe de lado a birra “iniciantes x veteranos” e beba da fonte sempre que possível.

– Trabalho em equipe. Tradutores são seres solitários? Nem sempre. Ou melhor, quase nunca. Em um projeto, precisamos lidar com clientes, gerentes de projeto, revisores, outros tradutores que trabalham no mesmo projeto etc.. Ter espírito de cooperação e saber lidar com opiniões diferentes é a chave para conseguir boas indicações e, consequentemente, outros bons trabalhos.

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